quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Xanddy também lê Grafias Noturnas

Não se espantem se o próximo cd do Harmonia do Samba tiver algum refrão falando de vampiros e casos sobrenaturais. Isso é quebrar paradigmas!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Giulia Moon comenta Grafias Noturnas

A Giulia Moon, autora do grande sucesso Kaori - Perfume de Vampira, escreveu as mais novas palavras a respeito de Grafias Noturnas. Eu havia perguntado a ela se havia conseguido ler até o fim. E ela respondeu:

"Conseguir" é uma palavra inadequada, pois parece que exigiu algum tipo de esforço, Luiz. Eu li o seu livro com muito prazer. Acho que a sua paixão pelo tio Ray (Bradbury)lhe fez muito bem. Gostei muito do prólogo, e dos quatro primeiros contos (apesar de já conhecer o Guarda-Chuva, mas foi legal relê-lo), que são, para mim, os melhores da coletânea. Os demais eu gostei também, mas ainda mais desses citados. Parabéns, é um ótimo livro. Um livro que causa estranheza, um pouco de medo e um pouco de tristeza e melancolia. Mas sempre de forma agradável.

domingo, 13 de dezembro de 2009

10 impressões sobre A Caixa (The Box)


Após conferir o novo filme do diretor de Donnie Darko, baseado no conto Button Button, de Richard Matheson, tirei as seguintes conclusões:

1) Richard Kelly não se contentou em fazer um filme que se passa nos anos 70. Ele fez um filme que saiu dos anos 70: recriação de época e figurino impecáveis, fotografia dessaturada, zooms, trilha sonora exagerada e outros maneirismos da década estão presentes de forma absurda (no bom sentido).

2) Mais uma vez comprovamos que é difícil transformar um pequeno conto em um roteiro de 100 páginas.

3) Há uma homenagem ao conto The Man From the South, de Roald Dahl, também adaptado para o seriado Além da Imaginação dos anos 80 (trata-se daquela história de um rapaz que aposta seu dedo mindinho com um velho excêntrico).

4) Algumas cenas remetem a Donnie Darko.

5) Foi investido em um forte clima conspiratório, que faz lembrar filmes como Invasores de Corpos e A Cidade dos Amaldiçoados.

6) Richard Kelly é um ótimo diretor, mas creio que seus roteiros sejam estranhos demais para atingir um grande público. Não acho que A Caixa terá muitos fãs.

7) Haverá muitos enigmas numéricos para os fãs decifrarem, conforme ocorre em Donnie Darko.

8) Não sei se gostei da mistura de temas, trazendo Marte para uma história que era baseada em A Pata do Macaco.

9) Perto do fim, depois de cenas bem lentas, há uma sequencia muito angustiante.

10) Ao final do filme notamos que, apesar do brilhante exercício estilístico da obra, o conto é melhor. Aliás, o trailer também é melhor que o filme.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Grafias Noturnas: mais uma resenha

A Carla Charão, do blog As Coisas Que Eu Não Entendo, e irmã da Cláudia, é a autora da mais nova resenha de Grafias Noturnas, publicada no Skoob. Poucas palavras, mas de muito significado:

Grafias Noturnas caiu nas minhas mãos por puro acaso ... indicação da minha irmã.

Adorei o livro é ótimo. Achei bem escrito, bem trabalhado, gostei de todos os contos, mas sempre tem aquele mais mais que na minha opinião são: 'A Lei de Lavoisier', 'A Visão', 'O Botão' e o mais legal de todos ... o que me identifiquei mais 'Eu Não Matei Charles Bronson'.

Espero ler mais de L. F. Riesemberg em breve.



Obrigado, Carla! Você lerá mais, muito em breve.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Organizador de POE 200 anos comenta Grafias Noturnas

O Maurício Montenegro, organizador da antologia ainda inédita Poe 200 Anos, teceu alguns comentários a respeito do livro Grafias Noturnas, e permitiu que eu os compartilhasse com vocês. Segue alguns dos trechos dos e-mails que trocamos nos últimos dias (com partes suprimidas, para evitar spoilers):

“Gostei muito do conto Racha. Ouvi o ronco dos motores, senti o cheiro da borracha dos pneus gritando no asfalto, saí dirigindo numa velocidade alucinante e, quando o carro bateu, fui lançado para fora do veículo pela força do impacto. Conto harmonizado e perfeito, coisa difícil de se fazer. Há uma situação muito interessante com ele: você tem que viajar no texto para entender os detalhes. Por exemplo, quando o Mustang emparelha no Maverick, quem olha para o lado é o carro e não o motorista, uma simbiose típica de quem pratica racha”.

“Em O Botão, há algo muito interessante: quando o homem acha a maleta e vai conversar com a mulher, você poderia ter descambado para uma briga do casal. Ao contrário disso, centrou-se na história e não na vida de marido e mulher que não tinha nada a ver com a história que você queria contar. A estranheza da situação era mais importante. Quando eles ficaram olhando a mala pensando, eu imaginei os dois no sofá, o homem de calção e a mulher com camisola olhando em silêncio a mala na mesinha de centro, isso é perturbador. Quando acabou o conto fiquei esperando tocar a música de Além da Imaginação”.

“Há textos no Grafias Noturnas que são Bradbury. Até agora identifiquei A Máquina da Alegria e A Cápsula do Tempo”.

“O legal é encontrar coisas diferentes que, imagino, sejam os contos somente com sua voz, como A Lei de Lavoisier e A Presa e o Predador”.

“A Presa e o Predador parece ser uma teoria de que o bullying é um dos gatilhos para o surgimento de sociopatas. Teoria perturbadora, mas coerente, principalmente quando também sabemos que na infância e adolescência as crianças tendem a guardar para si certas situações que se envolvem e acham vexatórias”.

“A Emissora é o tipo de história que gosto. O ambiente é personagem também: o que se ouve, o carro, tudo... (Por isso que gostei tanto de Racha, porque tudo é parte da história). A Emissora é mais uma história que fiquei esperando Rod Serling aparecer no final e a musiquinha do The Twilight Zone tocando enquanto subiam os créditos finais”.

“Gata Rainha é muito bom também. Mistura o mito do Lobisomem com o do Vampiro. A forma em diálogo é inovadora: faz o leitor preencher as lacunas. Quem não gostou do conto é preguiçoso”.

“Eu não Matei Charles Bronson - É fácil entender porque todos gostam desse conto. Trata-se de uma história com aquela atmosfera noir dos antigos pulp fiction. De revistas como Black Mask, ou de coletâneas onde Raimond Chandler e Dashiel Hammet são mestres. O herói é o anti-herói e a história tem que resultar em tragédia. Mesmo quando não se aperta o gatilho há o nome de Charles Bronson e você o imagina como Paul Kersey atirando em Desejo de Matar”.

“Parabéns pelo livro”.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Anvil! The History of Anvil


No verão de 1984 algumas das maiores bandas de rock do mundo, incluindo Scorpions e Bon Jovi, fizeram juntas uma turnê no Japão. Todas elas acabaram vendendo milhões de discos. Exceto uma.

É desta forma irônica e divertida que começa o brilhante documentário Anvil! The History of Anvil, que tive o prazer de assistir. Trata de uma banda que tinha tudo para se tornar uma das maiores do mundo, considerada influente para a maioria dos grandes nomes do cenário metaleiro, mas que acabou não dando certo. Apesar disto, seus integrantes, hoje na faixa dos 50 anos de idade, ainda não desistiram de alcançar o estrelato e continuam em busca do seu sonho.

Uma história muito tocante, principalmente pelo caráter extremamente ingênuo e sonhador da dupla principal, formada pelo vocalista Robb Reiner e pelo baterista Lips, que mostram-se totalmente fiéis um ao outro mesmo depois de três décadas sem obter reconhecimento. Diversos caras poderosos do rock, como Lars Ulrich (Metallica) e Lemmy Kilmister (Motorhead) rasgam elogios à banda, e ainda assim os pobres penam até mesmo para serem pagos por suas apresentações em locais com meia dúzia de bêbados.

Notei uma semelhança muito grande deste doc com o filme O Lutador, estrelado pelo Mickey Rourke. Os caras são grandes músicos e tocam com paixão, mas encaram o envelhecimento e são obrigados a trabalhar em empregos normais (Reiner é motorista) para sobreviver. É uma bela fábula dos tempos modernos, que merece ser conhecida até mesmo por quem não gosta do estilo musical.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

World's Greatest Dad x Donnie Darko

A primeira imagem que surge na tela durante a projeção de World’s Greatest Dad é a logomarca da produtora Darko Entertainment, com o famoso coelho de Donnie Darko. Achei que as semelhanças parariam aí, apesar do co-produtor do filme ser Richard Kelly (autor e diretor de Donnie Darko), mas eu estava errado.


A primeira imagem já entrega as semelhanças


Esta genial comédia dramática e dark estrelada por Robin Willians é cheia de referências ao cult movie de 2001. Eu já havia tido uma sensação de deja vu quando reparei nas cenas de estudantes no corredor de um colégio com uma trilha sonora maneira, mas só tive a certeza de estar assistindo a claras referências a Donnie Darko quando o protagonista surge em um campo de golfe ao lado do diretor da escola onde trabalha, à maneira do diretor do colégio de Donnie, quando este acorda após um de seus ataques de sonambulismo.


Cena do campo de golfe.

Cheio de viradas surpreendentes do roteiro, World’s Greatest Dad é o tipo de filme do qual é melhor se assistir sem saber nada a respeito (assim como Darko, diga-se de passagem). Mas posso contar que, além das semelhanças citadas, a produção ainda envolve um adolescente problemático como peça central da história, um personagem que muda a realidade à sua volta, a ambientação dentro de uma escola, um casal de professores, aulas de literatura, a referência a um clássico filme de terror (neste caso, A Noite dos Mortos Vivos, enquanto em Darko era a Evil Dead), isto sem contar uma interessante sequencia musical que mostra todos os personagens compreendendo um triste fato em especial, envolvendo a morte de uma pessoa, como se finalmente acordassem após um sonho (exatamente como na bela cena de Darko em que toca Mad World). E deve haver outras, que me passaram despercebidas.


Outra cena que lembra o cult movie de Richard Kelly

Creio que estas rimas acabam por transformar este filme em uma continuação alternativa de Donnie Darko. Afinal, o que poderia ter ocorrido com os personagens sobreviventes após o final daquela história? World’s Greatest Dad apresenta uma das possíveis respostas.