sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Predadores

Em 1987, O Predador fez sucesso misturando terror com os típicos exemplares de ação da época. Naquele filme, o diretor John McTiernan (Duro de Matar) colocou um time de grandalhões armados, liderados por Arnold Schwarzenegger, em plena floresta da Guatemala sendo caçados por uma versão alienígena dos brucutus humanos (e o monstro era interpretado por Jean-Claude Van Damme vestindo uma roupa de borracha, acredite!).

Se aquela produção impressionava pela estranheza do inimigo, bem como pela violência, aos poucos o monstro foi perdendo seu impacto, já que esteve presente no inferior Predador 2 (1990) - que substituiu soldados por policiais em uma Los Angeles futurista - e nos péssimos Aliens vs Predador 1 e 2.

Predadores (2010) é uma volta ao mundo dos temíveis monstros, que já não parecem meter tanto medo como nos anos 80. Produzido por Robert Rodriguez e dirigido por Nimrod Antal (Temos Vagas), a produção ao menos estabelece mais semelhanças com o filme com Schwarzenegger, pois volta à selva com um grupo de soldados e mercenários lutando para não virar presas dos bichos.

Com ação incessante, Predadores lembra bastante o ritmo dos divertidos filmes do gênero produzido nos anos 80 (e tenho certeza que, se tivesse sido feito naquela época, traria como protagonista algum fortão, e não o magrelo Adrien Brody - aliás, uma escalação que me surpreendeu!).

Mas o filme está muito mais para uma imitação de Lost, com seus personagens que não se conhecem e não sabem por que foram jogados naquele lugar, sendo perseguidos por criaturas perigosas, encontrando outros humanos misteriosos que estão lá há mais tempo, e caindo em armadilhas.

A impressão é a de que o filme é um amontoado de pequenas cenas de ação: A) fulano em queda livre sem conseguir abrir o paraquedas; B) beltrano tentando escapar de um atirador oculto na mata; C) ciclano correndo de uma espécie de cachorro assassino, etc. A boa notícia é que as cenas são legais, e mantêm o interesse no filme. Há até uma luta de espadas entre um oriental e um predador, que evoca os filmes asiáticos.

Estão presentes os velhos clichês, é claro, como o frágil médico que não se encaixa no grupo e mais tarde revelará a verdadeira identidade, mas ao menos os personagens não são eliminados na ordem que poderíamos prever, e volta e meia surge alguma outra surpresa na tela, como alianças inesperadas e a participação especial de um ator conhecido.

Assim, com pouco mais de 1 hora e meia, Predadores garante um ótimo e rápido divertimento, ainda que não passe de um descartável filme de ação que traz predadores como coadjuvantes.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O Nevoeiro

Depois de 3 anos desde o lançamento, revi O Nevoeiro (The Mist, de 2007), e pude comprovar que o cineasta Frank Darabont entregou um dos melhores filmes de terror da década.

Adaptação de um longo conto do livro Tripulação de Esqueletos, o filme trata o texto original com muita fidelidade, e ainda consegue melhorar muita coisa que Stephen King criou. Na história original o verdadeiro terror não era das misteriosas criaturas que surgiam de dentro da cortina branca que invade o mundo, e sim dos próprios seres humanos que ficam confinados em um supermercado - o que é mantido nesta adaptação.

Com atores que parecem ter nascido para encarnar os personagens, O Nevoeiro serve como um estudo sobre como as pessoas reagem quando confinadas e ficam sob a tensão do medo e da morte. A fanática senhora Carmody, papel da ótima Marcia Gay Harden, é um dos grandes destaques da produção: vilã inesquecível, que ganha seu lugar de honra entre os maiores monstros do cinema.

Os efeitos especiais são fracos, mas apenas no início. Conforme o filme anda, eles vão ficando mais convincentes.

Mas é impossível falar de The Mist sem comentar sobre seu polêmico final. Talvez alguns não tenham gostado, mas é a conclusão mais perfeita que se poderia fazer. O livro termina de forma aberta, sem uma real conclusão. Já o filme é bem cruel e trágico, mas que apenas deixa a história ainda mais forte.

Sobre o final, Frank Darabont comentou: "Eu teria o dobro do orçamento se tivesse optado por outro fim". Cara corajoso esse! Pena que ele pagou caro por não arredar o pé: o filme foi um fracasso nas bilheterias, e até hoje o diretor não voltou a trabalhar para o cinema. Mas já está mais que provado que ele é o homem certo para adaptar a obra de Stephen King às telas.

sábado, 13 de novembro de 2010

A Hora do Pesadelo 2010 - um horror!

Os filmes da série original costumavam me tirar o sono quando eu era criança, mas esta nova versão de A Hora do Pesadelo fez o contrário: me deu sono!

Com um roteiro extremamente amador, no qual os personagens contam para os outros aquilo que acabamos de ver acontecendo na tela, e efeitos de computação que envergonham os truques mecânicos do filme de 84 e suas sequências, este remake até tinha ideias legais que poderiam enriquecer a mitologia por trás de Freddy Krueger - mas elas não chegam a ser bem desenvolvidas.

Algo que poderia ter sido melhor aproveitado foi a presença do ótimo ator Jackie Earle Haley no papel de Freddy, mas a maquiagem impede que possamos ver as caras e bocas do vilão, fazendo com que o personagem seja apenas chato - ao contrário daquele encarnado por Robert Englund na série original, que era cheio de energia e humor negro. Esse novo Freddy, aliás, ficou muito parecido com a Fera daquele seriado A Bela e a Fera estrelado pelo Ron Perlman.

E do elenco de adolescentes, duvido que alguém se revelará um Johnny Depp no futuro.

A história do passado de Freddy, pouco explorada nos filmes antigos (creio que apenas no sexto filme vemos o personagem sem maquiagem, antes de ser queimado) até desperta interesse, mas sua conclusão é muito idiota. A cena em que ele é queimado vivo pelos pais das crianças dá uma baita vergonha, e chega a ser hilária. Onde já se viu o fogo se espalhar daquele jeito sem que ninguém tenha jogado algum combustível por todo o chão? E como é que chegamos a sentir pena de um personagem que deveria apenas inspirar medo?

Contando ainda com baboseiras inacreditáveis, como gente que dorme enquanto está na piscina em uma competição de natação, e dois jovens encontrando facilmente um esconderijo que ninguém descobrira há vários anos, o novo A Hora do Pesadelo é embaraçoso para quem é fã dos filmes velhos. Tem um ou dois bons momentos (imitados do filme de 84), mas que não valem o dinheiro da locação. Prefira rever o original.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Patrícia Gennice

Dos longas de Felipe M. Guerra, "Patrícia Gennice" é o mais antigo, gravado em 1998. Pois agora a primeira grande produção amadora do cineasta gaúcho foi relançada com uma nova edição, o que representa um grande presente para os fãs.

O filme apresenta-se como uma versão juvenil do clássico Depois de Horas, de Martin Scorsese, e com orçamento de R$ 150,00. Aqui o infeliz Lucas (interpretado por Fabiano Taufer) consegue marcar um encontro com a guria do título, que é tida como a mais gostosa de Carlos Barbosa, e que nunca nenhum cara conseguiu pegar. Ela é uma verdadeira lenda, portanto, e o protagonista não medirá esforços para aproveitar sua grande chance.

Mas é claro que as coisas não saem como o planejado.

"Patrícia Gennice" se passa durante uma noite de aventura e terror, quando o personagem enfrenta todo o tipo de situações bizarras para chegar ao seu destino, que é a casa da moça. Alguns episódios que Lucas protagoniza são bem humorados, e outros bem violentos, incluindo um ataque gay no banheiro, assaltos, tiroteios, tortura, encontros com traficantes, capangas, um assassino de aluguel e até com o diabo (no caso, uma diaba).

Nem precisa dizer que o resultado é incrivelmente divertido, sendo que os defeitos técnicos apenas reforçam a diversão do público. Alguns dos momentos mais engraçados são os diálogos que tiveram que ser legendados, já que é impossível entender o que os atores falaram. E é ótimo que a obra nunca se leve a sério, como nos momentos em que o rapaz toma atitudes bestas como interromper sua jornada pela noite para entrar em um suposto clube de strip-tease, ou para contar sua história para estranhos que encontra na rua.

Com ritmo frenético, o filme tem todas aquelas características que vemos nas outras produções de Felipe M. Guerra, como a metalinguagem (o protagonista constantemente fala com o espectador), as referências ao mundo do cinema, os litros de sangue falso e a trilha sonora cool. Aliás, o tema macabro no piano, usado em De Olhos Bem Fechados, de Kubrick, caiu muito bem aqui.

Tenho que aplaudir a grande produção, e neste caso a palavra "grande" se refere à grande quantidade de atores, e à disposição dos envolvidos, que devem ter virado noites e noites (frias) para concluir as gravações. Sem contar que os pacatos moradores barbosenses devem ter estranhado e muito a movimentação dos cineastas.

Pecando apenas por não desenvolver um final melhor (a sensação que fica é que a produção foi terminada às pressas, apesar que sinto que a intenção foi apenas fechar a história de um modo diferente), Patrícia Gennice é tudo o que se espera de um trash movie com cara de cult: bizarro, sangrento, engraçado, informal e extremamente divertido.

Tijolos


Minha vó conta essa história, que aconteceu no tempo da juventude dela, e resolvi compartilhar com vocês.

Em uma pequena vila, no interior do Paraná, um grupo de religiosos buscava arrecadar fundos para a compra de tijolos que serviriam para a construção de uma capela para São Benedito.

Muitos moradores ajudavam com o pouco que podiam, visto que a maioria dos habitantes do local era muito fiel ao santo. Porém, houve um homem, a quem vamos chamar de Jacó, que se recusou a ajudar. Ele estava jogando caxeta em frente a um bar quando foi abordado pelos voluntários da igreja.

- Eu não vou dar meu dinheiro pra capela nenhuma! – gritou, chamando a atenção de todos em volta, já que ele era alguém que teria condições de ajudar.

Alguns dias depois houve um temporal na região. Quase todas as casas foram atingidas, e muitos perderam tudo o que tinham. Durante a tempestade, o velho Jacó teve um ataque do coração e morreu.

No dia seguinte, quando a família foi construir o túmulo para o homem, não havia material de construção em lugar nenhum para pronta entrega, pois a destruição causada pelo temporal havia acabado com os estoques das lojas das redondezas.

E assim, para construir o túmulo, a família do falecido teve que emprestar da igreja os tijolos que estavam sendo arrecadados para a construção da capela.

domingo, 7 de novembro de 2010

Promoção Stephen King

No mês de novembro, o blog Grafias Noturnas sorteará um grande título do mestre do terror, Stephen King: A Dança da Morte. Para concorrer, basta ser seguidor do blog e informar, pelo e-mail luizrie@hotmail.com, o interesse em participar da promoção. Sorteio no dia 30 de novembro. Boa sorte!

Aclamado pela crítica e pelo público, A Dança da Morte (The Stand) traz a visão de Stephen King para o fim do mundo, quando um vírus mortal espalha-se pela terra, deixando milhões de mortos. É neste cenário desolado que os sobreviventes tomam partido entre o Bem e o Mal (Editora Objetiva, 944 páginas).

Plágio

O texto do blog http://placecozy.fashionblog.com.br/85065/A-hist-ria-do-Halloween/ foi plagiado daqui: http://grafiasnoturnas.blogspot.com/2010/10/historia-do-halloween.html

Assim fica fácil ter um blog, né? Mas tudo bem, já denunciei a criminosa.