Mostrando postagens com marcador dicas aos novos escritores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dicas aos novos escritores. Mostrar todas as postagens

domingo, 11 de julho de 2010

Dicas para novos escritores: O que te leva a escrever?

Caro aspirante a escritor: você já pensou no que te motiva a seguir esta carreira? Afinal, qual é o motivo que te faz querer tanto isso? Essa pergunta é essencial antes de se começar qualquer ação, pois é importante que saibamos se é positiva e relevante a finalidade por trás de um desejo.

Por muito tempo, eu quis ser um escritor de sucesso. Cresci ouvindo que deveríamos sempre ter sonhos, e que nunca deveríamos desistir deles. Pois o meu era esse: escrever best-sellers. Mas com o passar do tempo fui dando ouvidos aos meus mais profundos pensamentos, e fiz uma descoberta. Havia um sonho por trás desse sonho: não era exatamente ser um escritor que me motivava.

A partir daí, entendi que esse meu sonho era compartilhado com praticamente toda a espécie humana. Afinal, quem não gostaria de trabalhar em casa, ganhando bem, sem um chefe ou colegas enchendo o saco, e sem precisar cumprir horários? Escrever romances era só um detalhe, que poderia ter sido substituído por outra função, como ser crítico de cinema, por exemplo.

Foi quando comecei a pensar em outras possibilidades de trabalho que percebi que haveria muitas outras formas de eu me satisfazer profissionalmente, sem precisar necessariamente ser um escritor. E esse é o primeiro portal pelo qual deve passar o seu sonho. Responda, portanto, da maneira mais sincera possivel: você quer mesmo ser escritor, ou simplesmente quer experimentar as sensações que acredita que teria caso fosse um (a fama, a satisfação, o dinheiro, etc)?

Lembre-se de que, caso seu sonho passe por este portal, você precisa admitir que continuará desejando ser um escritor mesmo que nunca ganhe reconhecimento nem dinheiro com isso.

Vamos fazer um exercício. Imagine-se daqui quinze anos: você tornou-se um escritor, mas não atingiu o sucesso. Escreveu vários livros, mas eles não são muito vendidos. Você precisa ter outro emprego para garantir uma renda, e continua a escrever, pois isto lhe dá prazer.

E então? Isso é desestimulante? Ou você acha que está tudo bem? Se isto é totalmente desanimador, creio que o que você quer realmente não seja escrever, mas levar uma vida fácil. Agora, se você acha que, mesmo trabalhando em outra área, ainda assim se motivaria a escrever, simplesmente por satisfação... aí sim você tem vocação para escritor.

É claro que pensar na fama e no reconhecimento é importante. Porém, não pode ser esta a motivação por trás do que quer que seja. O sucesso é apenas uma consequência, e muitas vezes ele é injusto: quantos artistas geniais morreram antes de serem reconhecidos? e quantos medíocres desfrutam do sucesso devido ao acaso? Portanto, a fama e o dinheiro não podem ser gatilho para motivar nossa ação.

Imagino que o verdadeiro escritor seja aquele que escreve porque tem imensa necessidade disso, sem se importar com o que vão achar de seu texto. Ele escreve porque esta é a sua alegria e o seu vício. Não quer saber se vai ser lido por uma ou por um milhão de pessoas (É óbvio que ele preferirá ser lido por muitos, mas não se importará em receber algo em troca por isso).

É muito comum ver aspirantes a romancistas terem faniquitos e ficarem muito magoados quando recebem uma crítica negativa por algum texto seu. O verdadeiro escritor, aquele que carrega a arte da escrita na alma, nunca faria isso. Ele usaria tais comentários para aprimorar sua arte! Mas caso ele enxergue a escrita somente como um negócio, daí ele certamente tem seus motivos para ficar irritado, pois uma crítica ruim significa perda de dinheiro (ou a chance de ganhar algum).

Assim, fecho mais este texto, onde tento passar um pouco da minha experiência, mostrando que escrever é extremamente compensador, desde que você se satisfaça apenas com o ato de escrever. Se quiser ganhar dinheiro, aí é outra história. De preferência, tenha alguns ases na manga: caso não dê certo uma carreira brilhante na escrita, você ainda poderá conseguir tudo o que deseja, mas através de outro caminho.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Dica para escrever bem: Livre-se das obrigações!

Nada como fazer algo por puro prazer, por pura diversão. Nada de desempenhar uma tarefa por obrigação, ou pensando nos louros que se poderá obter com ela.

É assim que ando me sentindo ultimamente, após algumas mudanças pelas quais estou passando (algumas internas, mas em breve externas também - quando chegar a hora eu conto tudo).

Bem, tenho acompanhado o caso de Ademir Pascale, e sua história me fez fortalecer ainda mais aquele desejo de livrar-me de certas obrigações. Estou falando de escrever, mas isso vale para qualquer outro assunto.

O Ademir claramente mantém um sonho há anos: o de se tornar um escritor. Na verdade escritor ele já é, como eu, ou você, mas sabemos o que quer dizer "ser escritor" — ou seja, poder sobreviver apenas da venda dos livros. E foi exatamente esse o desejo que cultivei por um período muito, muito longo.

O que aconteceu com ele foi que, após passar dois anos trabalhando em cima de seu primeiro romance, O Desejo de Lilith, e de finalmente conseguir publicá-lo, por uma editora decente, recebi um e-mail seu dizendo que após isso sua vida tornou-se um inferno.

Epa, mas como assim? Não era o sonho do cara? Ou pelo menos o início da realização desse sonho? Estranhei aquilo, e achei que fosse uma brincadeira sua. Afinal, estava sendo anunciado para todos os lados que após apenas vinte dias, já havia se tornado necessário fazer uma segunda impressão do livro.

Mas não era brincadeira. Ele realmente estava muito irritado com algumas críticas que sua obra andou recebendo. Dizia estar sendo injustiçado, vítima de uma conspiração de pessoas que queriam destruir sua carreira literária. Nos e-mails ele escrevia que tinha explodido, e estava inconformado com aquilo, a ponto de estragar sua saúde, creio eu.

Não quero ser fofoqueiro. Aliás, esse assunto nem é novidade entre os fãs de literatura fantástica nacional. Só estou usando o tema para passar uma lição que aprendi recentemente. Continuemos a história.

Li a crítica que tanto havia irritado o nobre colega escritor, e notei que, realmente, é um texto devastador. O crítico, que goza de certo prestígio, simplemente destrói o romance de Ademir. E depois que foi divulgado que o Pascale protestou contra o crítico, mandando e-mails para centenas de pessoas, dizendo-se injustiçado, as coisas pioraram: passaram a taxá-lo de imaturo por não aceitar as críticas negativas, e aí é que começaram a pegar ainda mais pesado.

Neste quesito, não vou tomar partido: não sou realmente um fã do estilo de Ademir Pascale, nem de suas declarações públicas, que sempre me cheiram a vaidade demais. Porém, não li o livro, e não posso afirmar se a crítica tem razão. Confesso que simpatizo com a figura trágica de um sujeito que sonha a vida toda em ser um autor famoso, e antes que isso aconteça a crítica diz que ele não tem talento e o sonho morre aí. Mas também não posso deixar de perceber que a crítica é muito bem fundamentada.

Dúvidas, raiva, discussões... são tantas palavras negativas, sendo que um escritor deveria estar escrevendo por prazer, por amor. O que estraga as coisas é justamente esta necessidade de sucesso, de ser aceito e elogiado. Talvez a necessidade seja a de se obter dinheiro, luxo e tudo mais.

Olha só: se eu escrevo apenas porque gosto, esse lado ruim nunca vai acontecer. Se eu escrevo simplesmente porque essa atividade me satisfaz, vou aceitar as críticas numa boa, e vou usá-las para escrever cada vez melhor.

Entende o que digo?

Livre-se da obrigação de fazer algo que todos têm que admirar. Faça simplesmente porque gosta, porque ama! Quando você desempenhar essa tarefa de forma mais pura e simples, aí sim o sucesso vai começar. De que adianta fazer o que gosta, se aquilo gera discussões, brigas, inimizades?

Essa é a dica de hoje. Digo isso porque deixei de lado aquele desejo enorme de obter sucesso com a escrita, e só vou escrever nos momentos em que realmente a inspiração baixar sobre mim, sem qualquer pressão.

Talvez eu lance mais um livro, mas não sei quando isso vai acontecer. Só de uma coisa eu sei: será um livro leve, sem o peso da cobrança por aceitação e sucesso.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Não ao mini-conto!

Se algum "editor" picareta aparecer com a proposta de uma antologia de mini-contos, caia fora! Essa é a melhor forma para ele ganhar uma grana fácil, e para o autor não desenvolver sua escrita.

"Ah, mas nos tempos atuais ninguém tem tempo de ler, então as narrativas curtas são muito mais valorizadas", ele dirá. Mentira! Os livros mais vendidos são justamente os mais longos, isto sem falar nas sagas (O Senhor dos Anéis, Harry Potter, Crepúsculo, etc). Se os leitores não tivessem tempo para ler, como é que essas obras fariam tanto sucesso hoje em dia?

O mini-conto não pode ser classificado como um gênero literário. Qual é a emoção que ele transmite? Sei que alguns grandes autores escreveram alguns desses breves textos, como Hemingway (Vende-se: sapatos de bebê, sem uso), e o mini-conto mais famoso é atribuído ao guatemalteco Augusto Monterroso (Quando acordou o dinossauro ainda estava lá). Mas se essas merrecas forem consideradas obras artísticas, então o mundo estaria cheio de escritores em qualquer esquina. A cada minuto devem surgem milhões de "obras" superiores a essas sendo postadas no Twitter ou enviadas por SMS.

Tenho essa postura mais conservadora, de que quanto mais longos, mais os textos têm capacidade de fazer o leitor sentir alguma emoção duradoura. Não precisa ser um calhamaço, de 500 páginas, mas se dá para começar e terminar a leitura em menos de cinco minutos, também não deve surtir efeito algum para quem o lê.

Era isso. Para o meu gosto ficou um post muito curto, mas pelo menos é mais longo que um mini-conto e que um anúncio de Classificados.

Um abraço!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Abertura do mercado literário

Às vezes leio algumas entrevistas com autores em início de carreira, que acabaram de lançar seu primeiro livro, geralmente por uma pequena editora, e há aquela constante pergunta: Como anda o mercado literário no Brasil para novos escritores?

"Muito bom", muitos dizem. "Está se abrindo". "Melhorou muito". Estas são as respostas mais frequentes, significando que ultimamente está mais fácil publicar. Porém, será que alguém já parou para pensar na contradição que eles estão dizendo? Abrir o mercado literário para iniciantes é uma boa notícia? É óbvio que não! Escritor tem que se ferrar mesmo para conseguiur publicar!

Vejamos: Eu AMO Literatura. Para mim ela é algo tão importante quanto a Medicina, sem dúvida alguma. Porém, para alguém se tornar médico é preciso passar por um concorridíssimo vestibular, não é? E depois são longos anos de dedicação à faculdade, à residência e às especializações, para só então começar a atender os pacientes. O médico tem que se dedicar à Medicina 24 horas por dia, desde o momento em que ele decide que é isso que ele quer fazer da vida, certo? Então me responda: por que seria diferente para um escritor?

O autor precisa ter muita prática para finalmente conseguir escrever um bom livro. E como ele consegue isso? Dedicando todo seu tempo a escrever! Não só o tempo, mas o coração, a mente e a alma. Que graça teria se qualquer um pudesse escrever, publicar e ser reconhecido por isso? Se fosse assim, as prateleiras das livrarias estariam cheias de porcaria. Aliás, já estão! É por isso que defendo que, se alguém quiser ser escritor, então deve dedicar sua vida exclusivamente a isso. Esqueça outro emprego. Esqueça outros sonhos. Esqueça tudo, menos o fato de querer escrever bem! Torne a escrita sua prioridade, sua única paixão, e não a troque por nada. Pois ela é bastante ciumenta, e caso você não lhe dê a devida atenção (e eu posso dizer: ela exige MUITA atenção e carinho), pode esquecer: ela vai tirar toda a sua inspiração e você nunca produzirá nada que preste.

Esta é a minha visão sobre a tal abertura do mercado literário: quanto mais fechado ele estiver, menos livros de má qualidade estarão à disposição dos leitores.

ps: Acabei de ler em um blog um pequeno conto de um dos "maiores nomes da literatura fantástica nacional", que ainda não publicou um livro solo — uma história melosa e clichê, com vários erros de ortografia. Socorro!