segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Memorex



Vou fazer como a minha amiga Tati e avisar os esquecidos sobre a Promoção Natal Cultural Grafias Noturnas. Ainda dá tempo de concorrer a todos esses prêmios!


Livros: Grafias Noturnas (L.F. Riesemberg), Clube da Luta (Chuck Palahniuk), Goosebumps – Sorria e Morra...Outra Vez (R.L. Stine), Caminhos do Medo (vários autores)


DVDs: Despertar dos Mortos (George Romero), A Hora do Espanto (Tom Holland), O Professor Aloprado (Jerry Lewis)


HQ: Lobo Nº 1 DC Comics (Alan Grant, Val Semekis, John Dell)


CD: Ozzy Osbourne – Randy Roads Tribute


Action figure: Harry Potter (Mattel)


Para participar, basta responder a pergunta: Para você, o que significa Grafias Noturnas? As frases mais criativas serão publicadas no blog, mas TODOS os participantes concorrerão ao sorteio. Basta enviar, junto com a resposta, o nome e endereço completo para o e-mail luizrie@hotmail.com e torcer. As inscrições vão até o dia 23 de dezembro e o resultado sai no dia 24/12. Boa sorte!


Observações:


Poderão participar concorrentes de fora do Brasil, desde que arquem com as despesas de envio dos prêmios;

O 1º lugar terá direito a escolher 5 prêmios, o 2º lugar escolhe 3 prêmios dos 5 restantes e o 3º lugar fica com os 2 restantes.


O Poder de um Elogio

Texto publicado no blog Diário de Bordo, de Pablo Villaça:

Prêmio Inigualável

Como crítico de cinema, não estou caminhando rumo à fortuna. Tampouco vejo prêmios no futuro ou mesmo algum tipo de fama. Mas continuo a escrever por dois motivos: 1) Eu amo Cinema e gosto de falar e pensar sobre o assunto; e 2) Vocês. Caso escrevesse apenas para consumo próprio, não conseguiria continuar; quem escreve quer ser lido - e o retorno (positivo ou negativo) que tenho de vocês é algo que sempre me estimula.

Assim, ao receber o link para uma carta aberta escrita pelo leitor Luiz F. Riesemberg e endereçada a mim, fiquei profundamente comovido com o que li. Na realidade, foi uma das homenagens mais tocantes que já recebi - especialmente porque Riesemberg assume ter, durante certo tempo, detestado o que eu escrevia e chegado até mesmo a enviar mensagens "maldosas" através do site. Aliás, fiquei tão comovido que li a carta em voz alta para várias pessoas que se encontravam aqui em casa, hoje - e todos se mostraram tocados pelo texto.

Obrigado, Luiz. Muito, muito obrigado. Retornos assim fazem tudo valer a pena.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Carta a Pablo Villaça



Nos anos 90, quando eu era leitor assíduo da Set, escrevi um e-mail para a redação, elogiando o site que a revista havia inaugurado, mas reclamando da demora na atualização das notícias. Este e-mail foi publicado na edição seguinte, junto com o meu endereço eletrônico, e por algum tempo alguns leitores me escreveram, enviando principalmente propagandas relacionadas a cinema.


Uma dessas propagandas vinha de Pablo Villaça, um cara que se auto-proclamava crítico de cinema, e que havia fundado um site sobre o assunto: o Cinema em Cena. Fã da sétima arte desde a minha infância, fui logo dar uma olhada no trabalho do sujeito. Não achei nada de tão especial nas críticas, pois eu sempre considerara Rubens Edwald Filho o único verdadeiro entendido de cinema no Brasil e nunca achei que ele perderia seu posto. Mas volta e meia eu dava uma passadinha no tal Cinema em Cena.


Os anos foram passando, e fui notando significativas melhoras no site. Primeiro o visual ficou mais atrativo, depois o conteúdo. Até que, finalmente, me dei conta de que as críticas estavam ficando com uma qualidade boa demais, como eu nunca havia lido em qualquer outro espaço. Tudo isso eram sinais de que o Cinema em Cena estava evoluindo a passos largos, como uma criança depois que aprende a caminhar sozinha.


E foi quando eu já havia estabelecido o site como a minha principal fonte de informações sobre o meu assunto preferido que li uma das críticas mais emocionantes de todos os tempos. Não era sobre um filme, mas sobre o nascimento de Luca, o primeiro filho de Pablo. Muitas das minhas opiniões acerca de centenas de filmes haviam sido plantadas em mim através dele, mas foi aquele texto, tão apaixonado e pessoal, que me fez perceber definitivamente que aquele cara já fazia parte da minha vida, apesar de não conhecê-lo de perto.


Porém, como o orgulho que nos habita sempre acaba dando as caras se o alimentarmos, houve uma época em que passei a implicar com o Pablo. Às vezes porque eu não concordava com alguma crítica (as apenas duas estrelas para Inteligência Artificial e Gladiador foram difíceis de engolir, assim como todas as cinco de Batman Begins). E às vezes era por eu notar nele, sempre através dos seus textos, algumas más inclinações que eu mesmo tinha, mas que não queria assumir. Acho que esses defeitos que compartilhávamos era o próprio orgulho e aquela confiança irrestrita em si mesmo, que fazia com que nos achássemos os melhores do mundo. Por tudo isso eu até cheguei a escrever comentários maldosos no site, vez ou outra, como forma de vingança.


Mas assim como no roteiro de um filme, o protagonista sempre passa por um momento difícil, e precisa enfrentá-lo para tornar-se uma pessoa melhor. Sei que já passei por um desses pontos de virada no roteiro da minha vida, e noto que o Pablo também. E mais: percebo que muito do que eu melhorei, foi graças aos textos desse cara.


Lendo as críticas do Cinema em Cena aprendi a ter uma visão muito mais ampla sobre os mais diversos temas, como religião, preconceito, amor, política, morte, ecologia, esperança, violência, amor, guerra e mais uma porção de outros. Muito da minha cultura e da minha visão de mundo cristalizou-se depois de eu ter tido acesso a anos de leituras inteligentes e significativas sobre filmes, apesar de eu nem sempre concordar com as opiniões dele. Fazendo uma ligação com um livro recentemente lançado (o qual não li e não pretendo ler, graças aos comentários do Pablo) esse meu aprendizado foi um verdadeiro Clube do Filme, no qual utilizei apenas informações relacionadas ao cinema, e trazidas por alguém inteligente o suficiente para interpretá-las.


É claro que, até hoje, não sigo com fidelidade cega todas as dicas deste amigo. Ainda nesta semana fui surpreendido com quatro estrelas para uma produção que achei bem fraca. Mas a questão é que aprendi a conviver com essas diferenças de opinião, sem ficar gastando minha energia para mostrar que só eu estou certo e os outros errados. Amigo Pablo: sua participação nesta minha transformação para melhor foi de suma importância, e resolvi fazer este agradecimento porque, além de tudo, nunca paguei um centavo para beneficiar-me com seu trabalho.


Inclusive este e muitos outros agradecimentos que já fiz na minha vida foram motivados por você mesmo. Como esquecer aquele seu significativo post acerca do poder de um elogio, que você fez a um pobre garçom que te atendeu muito bem em um restaurante? E a mensagem sobre a educação dos curitibanos, de quando você ministrou um curso na capital do meu Estado? Ou ainda a sua indicação do cd da banda Anvil, mesmo sem gostar do estilo musical, simplesmente por ter se sensibilizado com a vida dos roqueiros ao assistir ao documentário The History of Anvil? Sem falar da vez em que você disse que compraria o DVD de Encarnação do Demônio, apesar de não gostar do filme, depois de ler a notícia de que o Zé do Caixão estava autografando DVDs piratas em São Paulo, para ajudar os camelôs.


Há muito de você na personalidade de milhares de seus leitores, e talvez haja mais do que se imagine. O simples fato de eu acreditar nos meus sonhos vem de várias críticas belíssimas que você já publicou. Vem também do fato de saber que você abandonou uma faculdade de Medicina para dedicar-se à grande paixão da sua vida, que é o cinema. Como não admirar alguém assim?


E é claro que isso não é tudo. Ainda nem falei das demonstrações de senso de humor nas resenhas dos piores filmes ou nas descrições de difíceis momentos de sua vida. Nem da forma maravilhosa como o vemos dedicar-se aos seus filhos. Nem da humildade que mantém com seus fãs, fazendo questão de conhecê-los pessoalmente quando estes o encontram em alguma sala de cinema. Nem da devoção que demonstra aos seus leitores e à sua família, que já te fez abandonar um alto cargo em uma empresa emergente do ramo cinematográfico.


É por tudo isso, Pablo, que minha avaliação para você é 5 estrelas em 5. Obrigado, amigo!


The Cove

The Cove (em português, A Enseada) é uma obra fenomenal. Um dos favoritos ao Oscar de documentário em 2010, apresenta uma cidade litorânea japonesa cuja economia gira em torno da exploração dos golfinhos que, durante 6 meses a cada ano, chegam em correntes migratórias. O diretor é um ativista dos direitos dos animais, e ele ficou sabendo da história aqui retratada através do homem que foi o responsável pelo sucesso da série Flipper, dos anos 70.

Esta famosa série fez com se generalizasse em todo o mundo o interesse pelos golfinhos, mostrando-os como dóceis, inteligentes e sempre felizes. Centenas de parques aquáticos com golfinhos adestrados surgiram desde então, gerando uma economia de bilhões de dólares. Porém, depois de anos neste trabalho, o treinador percebeu que os animais estavam sendo submetidos ao terrível estresse ocasionado pelo ensurdecedor barulho desses locais, associados à vida em cativeiro, e nos últimos 35 anos ele tem dedicado sua vida a melhorar a qualidade de vida deles. Nem que para isso precise enfrentar polícia, autoridades e invadir propriedades particulares para libertar as criaturinhas.

O doc concentra-se nos esforços da equipe de filmagem em mostrar imagens do massacre que acontece em Taiji. Lá os golfinhos são capturados e os "melhores" são vendidos aos parques aquáticos, mas aqueles que "sobram" são mortos de forma cruel, um a um, e sua carne é vendida, inclusive para escolas. O filme mostra que os próprios japoneses não sabem que estão comendo golfinhos (cuja carne contém alto índice de mercúrio), o que seria escondido pelo próprio governo, em uma atitute conspiratória.

Essa equipe que fez o filme é retratada como aquela de Onze Homens e um Segredo, com participantes geniais em suas especialidades, e todos interessados em denunciar o massacre. Mergulhadores, técnicos em efeitos especiais e viciados em adrenalina fazem parte do grupo, e se dirigem até a cidade japonesa, onde a segurança é reforçada, com áreas altamente proibidas de se filmar ou fotografar.

Munidos de engenhocas brilhantes (como falsas pedras com câmeras escondidas), eles se aventuram durante a madrugada pelos parques nacionais, justamente nas regiões onde seriam presos caso fossem pegos, a fim de instalar os equipamentos de filmagem. Acho que deu para perceber que o filme tem suspense, é muito divertido e tem um ritmo que nunca cai, inclusive trazendo empolgantes imagens dos golfinhos no fundo do oceano, de um grande lirismo.

Porém, o maior mérito da obra é seu caráter de denúncia, visando conscientizar. É certo que as imagens finais do filme (que mostram apenas um dia do terrível massacre), dificilmente sairão da cabeça do espectador. São de obras assim que o mundo precisa: que fazem as pessoas e o mundo mudarem, para melhor.

Um dos grandes filmes que assisti esse ano, e que deveria ser visto por todos.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Dicas aos novos escritores


Volta e meia, em entrevistas, me pedem para dar dicas aos novos escritores, ou àqueles que desejam um dia seguir esta carreira. Mas não sei se sou um bom escritor para dar dicas. Desde que comecei a escrever, e principalmente depois que lancei Grafias Noturnas, tenho ouvido muitos elogios, o que me faz acreditar que estou no caminho certo. Porém, há um mar de brasileiros, na maioria homens da minha faixa etária, batalhando para obter reconhecimento na literatura.

Veja só: 2009 foi o ano das antologias. Até perdi a conta de quantas foram lançadas, cada uma com contos de pelo menos trinta autores amadores ou semi-profissionais. Mas o que poderia ser algo ótimo para todos, acaba na maioria das vezes sendo um vexame. São raros os casos em que leio algo realmente de qualidade nessas coletâneas, que são irregulares por natureza, sempre trazendo um conto apenas correto entre dois ruins e três péssimos. Mas, com tantos lançamentos, podemos tirar algumas conclusões interessantes a respeito desta nova geração de “escritores”.

Para começar, qual o perfil destes escribas? Pelo que noto, há uma infinidade de profissões se arriscando à arte de contar histórias: médicos, advogados, engenheiros, técnicos em informática... a lista é longa. E quando me deparo com um contraste desses, do tipo “profissional da área de Exatas na área literária”, me pego a me perguntar: quando é que começou esse sonho de se tornar escritor? Terá sido depois de anos em um trabalho de outra área, ou já era uma vontade que estava presente lá na infância, e o sujeito foi escondendo, camuflando, de um jeito que ninguém percebeu?

Não acredito que alguém tenha desejado a vida inteira ser biólogo, por exemplo, e no alto de seus trinta e cinco anos de idade, sem mais nem menos, pensa: “Quero escrever histórias de terror!”. Portanto, a minha ideia é de que houve alguma coisa na história dessa criança que a fez desistir de acreditar no sonho de escrever. Cada um tem a sua vida e vai alegar algum motivo diferente, mas o problema que eu, pessoalmente, enfrentei, foi a timidez.

A vontade de ser um escritor profissional vinha desde os 12 anos de idade, no máximo. Mas como é que eu contaria isso para alguém? Iriam rir. Pediriam para ler algo que eu tivesse escrito. E de fato, naquele tempo eu escrevia realmente mal: em primeiro lugar porque não tinha a técnica, e em segundo (mas não menos importante) porque me faltava experiência de leitura e, principalmente, de vida. Mas nunca deixei de alimentar esse sonho, mesmo em segredo. Tanto que ingressei, aos 17 anos, na faculdade de Jornalismo, só porque era um curso que poderia agradar tanto aos que estavam à minha volta como a mim mesmo: afinal, é uma profissão em que é necessário escrever.

Com o diploma debaixo do braço (e um pouco chateado porque o estilo de escrita literário foi pouco desenvolvido durante o curso), logo emendei meus estudos com a faculdade de Letras. Mas deixei bem claro para mim mesmo: não queria ser professor! Desejava apenas aprimorar meus conhecimentos na escrita, ler novos escritores, analisar os clássicos e conviver em um ambiente no qual houvesse apenas pessoas voltadas diretamente para Literatura. Aí sim, a coisa começou a andar.

Como eu fazia Letras por amor, e sabendo que aquilo ia me ajudar muito na realização do meu sonho, acabei sendo um dos melhores alunos da classe. Talvez minhas notas em Linguística, em Pedagogia ou em Metodologia de Ensino não fossem as melhores, mas quando se tratava de Literatura, não tinha para mais ninguém em termos de interesse e empolgação. Eu chegava a ser chato, grudando em professores para que me indicassem livros legais, e insistentemente conversando com eles sobre a arte da escrita. Foi nessa época que, finalmente, me senti apto a escrever: depois de mais de 10 anos sonhando em ser escritor e me preparando para o ofício.

Começar a escrever foi só um passo, pois eu ainda tinha dúvidas se possuía mesmo talento. Então decidi escrever um conto, bem curtinho, de oito páginas, e enviei para um concurso. Ganhei Menção Honrosa, disputando com seiscentos concorrentes do Brasil e de outros países, e isso me motivou a escrever um segundo. Nesta segunda tentativa fiquei com o 1º lugar. De lá para cá ganhei mais algumas menções honrosas e alguns primeiros lugares, e lancei um livro com 21 trabalhos, que está sendo elogiado por quem o tem lido, mas que eu sinto que ainda está muito aquém da obra que nasci para entregar ao mundo.

Sendo jornalista, eu nunca deixo de escrever: nem que eu não esteja com vontade, esse é o meu trabalho diário — o que é muito útil para eu ir constantemente aperfeiçoando a técnica. Mas talvez se eu tivesse falado para os adultos, desde os meus 12 anos, que meu sonho era mesmo ser escritor, eles teriam me ajudado mais. Talvez me incentivassem a escrever, mesmo que eu não mostrasse a eles. E caso eu mostrasse meus textos, e eles não gostassem, é certo que teriam me dado dicas e hoje eu teria muito mais experiência e confiança do que tenho demonstrado.

Ser escritor é um grande sonho, como dá para perceber. O autor não deve apenas querer ser reconhecido pelos leitores ou pela crítica: deve querer ter a certeza de que deixará alguma obra que fará bem à humanidade, seja emocionando, seja alertando, seja aconselhando quem vier a conhecê-la. E me incomoda ver tanta gente de outras áreas se arriscando a escrever, sem ter certeza do objetivo por trás disso, e sem ter se preparado o suficiente. Não é medo da concorrência, nem orgulho: é a constatação de uma coisa, que não tenho certeza do que é.

Há duas opções que se apresentam: a primeira é a de que essas pessoas estão apenas aproveitando uma onda de sucessos monstruosos e acreditam que podem se dar bem, lançando um improvável best-seller. A segunda, e mais crível, é a de que elas já tinham desde cedo o sonho de ser escritores, como eu, e seguiram uma carreira totalmente diferente, ao invés de tentar fazer o sonho acontecer. Eu lamento observar que, de uma forma ou de outra, essas “contribuições” que tais aspirantes a autores estão dando à literatura nessas antologias não são boas.

Conheço muita gente que diz que não gosta de ler, mas quando pergunto qual foi a última coisa que ela leu, fico sabendo que foi algum conto medieval, cuja ambientação é na Inglaterra, no tempo das cruzadas, escrito por um empresário de São João da Itapeteninga, que nunca visitou o exterior, nunca leu os clássicos e, aos 50 anos de idade, resolveu começar a escrever. Como é que algo assim pode ser bom?

A Literatura é uma arte que exige muita dedicação e tempo, além de respeito. Às vezes um livro precisa de décadas para ser escrito. A maioria dos clássicos levou muitos anos para ser concluída, ou então o autor já tinha dedicado toda a sua vida a escrever, e de repente teve um lampejo de inspiração que o fez terminar um romance em poucos dias (como é o caso de Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, por exemplo, escrito em duas semanas, na prisão).

Para ser mais específico, gostaria de abrir parênteses sobre a literatura fantástica.

Basta olhar as listas de livros mais vendidos: só há obras sobre vampiros, bruxos e espíritos. Qualquer um que queira ganhar rios de dinheiro, pensa: “Vou escrever sobre terror, e fico rico!”. O negócio é que este gênero é um dos mais traiçoeiros. Pegue, por exemplo, a antologia Caminhos do Medo, da editora Andross. Quando o organizador disse que procurava contos de terror, e alertou que aqueles que não se enquadrassem no gênero seriam negados, houve muitos candidatos que se viram na obrigação de criar algo bem tenebroso, com mortes violentas, cenas fúnebres e linguagem copiada de Edgar Allan Poe, com citação a poetas românticos ingleses, nomes de personagens estrangeiros e ambientação em terras internacionais, em um estilo que vou chamar de “terror negro”.

Cara, isso é muito chato! Por que não se pode tentar fazer um terror mais colorido, mais atual e mais brasileiro? O Stephen King faz muito sucesso, e sobre o que ele escreve? Sobre adolescentes, compatriotas seus, que fazem piadinhas sobre os programas de televisão, gostam de Ramones, torcem para o Red Sox e comem sardinha enlatada de marcas específicas. É aí que está o terror dos dias de hoje! O que passou, passou. Poe e Lovecraft já são passado. É claro que me interesso pela obra deles, mas o que estou tentando explicar é que, se for para ler uma história de “terror negro”, vou atrás deles, e só. Não vou me arriscar a ler o livro de um brasileiro, que nunca escreveu nada na vida e até então vinha dedicando seus anos a uma profissão bem diferente do ofício de escritor.

Não pense que estou ficando velho e ranzinza. Muito pelo contrário: aprendi que devemos ser sempre como as crianças, e acreditar em nossos sonhos. Também não quero tirar a alegria de quem decidiu, depois de adulto, começar a escrever. Só quero fazer este alerta: se tiver um desejo, não espere chegar a hora de realizá-lo. Corra atrás agora mesmo. E se esse sonho for escrever, então escreva! Escreva desde criança! Caso você já tenha uma certa idade, escreva assim mesmo. Mas saiba que o caminho será muito mais difícil. É esse o motivo dessas antologias serem tão fracas, já que seus participantes não são exatamente pessoas que escrevem há 20, 30 anos.

Nunca foi minha intenção desdenhar do sonho de alguém. Ainda mais se esse sonho for o mesmo que o meu. Mas não consigo ler o conto de algum amigo e, só pelo fato de ser amigo, eu comentar: “Puxa, ficou ótimo! Parabéns!”, mesmo reconhecendo que está ruim. Quando vejo certas pessoas fazendo elogios rasgados a esses livros, só posso concluir duas coisas: ou ela não está sendo sincera, ou tem pouca bagagem cultural e é incapaz de reconhecer que aquilo perde feio para a obra de autores de verdade.

Os últimos escritores que me fizeram vibrar com seu trabalho foram Ray Bradbury, Roald Dahl e Horacio Quiroga. Mas eu vibrei para valer! Daria tudo para algum dia estar diante deles, falando que eles conseguiram mudar a minha vida, e que eu queria apenas um pinguinho da genialidade deles. Já os escritores brasileiros da geração "antologias de contos da década de 2000", na melhor das hipóteses, apenas me fizeram constatar que precisam melhorar muito.

E sem mais, agora posso finalmente dar as minhas dicas aos “novos escritores”:

1) Não espere ser bom antes de, no mínimo, quinze anos de prática;
2) Curse uma boa faculdade de Letras. Depois de quatro ou cinco anos neste ambiente, você notará a diferença;
3) Saiba aceitar as críticas e faça bom uso delas;
4) Procure ler os clássicos e descobrir autores que não são considerados clássicos, mas que te façam vibrar;
5) Não seja tímido e mostre seus escritos para o maior número de pessoas;
6) Leia ainda mais;
7) Estude a teoria e a história da Literatura;
8) Tenha sempre algo a dizer quando estiver escrevendo. Histórias que só servem para entreter, na verdade não servem para nada;
9) Não tenha medo de escrever sobre você mesmo;
10) Seja curioso a respeito de todos os assuntos do mundo;
11) E saiba viver a vida. Só assim para saber dar vida a seus personagens.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Noites de Verão

Não é segredo de ninguém que detesto o sol. Na verdade é o sol que me detesta, mas tudo bem. O negócio é que o inverno é, para mim, a melhor estação do ano. E não troco um lindo final de semana nublado ou chuvoso, no qual posso tranquilamente assistir filmes ou ler um bom livro, por uma tarde na piscina (argh!).

Mas apesar disso, há algo no verão que me fascina. São as noites da estação. Aquelas que têm o céu forrado de estrelas ou uma lua linda, e que a brisa gelada bate no rosto, em contraste com o ar quente, causando uma deliciosa sensação.

Acho que esse tipo de noite marcou muito minha infância, principalmente entre os meus 8 e 10 anos de idade. Nessa época foram muito marcantes as vezes em que toda a minha família deixava de lado a abafada sala de estar (e a novela das 8) e se dirigia a pé até a banca de revistas (na verdade uma loja completa, que também vendia brinquedos, material escolar, doces e sorvetes – isso é comum em cidades do interior). Nós comprávamos sorvetes, e não raro uma barra grande de chocolate, que dividíamos assim que chegávamos em casa. Mas eu geralmente usava parte da minha mesada para comprar uma revista de palavras cruzadas Coquetel, ou um gibi da turma da Mônica, e um picolé de coco.

O melhor do verão, hoje em dia, é quando surge uma noite dessas, em que estou à toa, e me envolvo naquela mesma sensação de antigamente. Pois, para minha sorte e contentamento, nesta semana essa magia se repetiu na terça-feira.

Além da maravilhosa temperatura ao ar livre, o céu sem nuvens estava coroado por uma magnífica lua cheia, que me encheu de ternura. Sem que perdesse tempo algum, pois já passava das 9:30 da noite, corri pegar dinheiro e rumei para a banca, em uma agradável caminhada pela rua quase deserta.

No meio do caminho, a gostosa angústia: e se a banca estiver fechada? Já é uma grande felicidade o estabelecimento continuar no mesmo lugar, sendo dirigido pelo mesmo dono, depois de tantos anos. Mas era bem possível que o horário de funcionamento tivesse mudado, e não fosse mais até as 10 horas. Só que logo os meus olhos brilharam, porque de longe notei as luzes acesas e o expositor da Kibon armado na calçada.

Talvez sejam poucos os prazeres da vida que se igualem à sensação de fazer este passeio e estas compras, numa verdadeira volta ao passado. Até o cheiro da banca é o mesmo de quando eu era criança. Após passear pela loja, como eu fazia antes, dando uma olhada em tudo o que tinha (pena não ter mais os discos de vinil!), comprei uma revista Coquetel, dois gibis e o maravilhoso picolé de coco, o meu preferido.

Veja só: comecei este post só para falar sobre os gibis que eu comprei, mas acabei me estendendo tanto que vou deixar tal assunto para outro dia. Quero agora apenas guardar aquela sensação, de uma prazerosa ida à banca em uma quente noite de verão.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Ganhe 10 livros do Skoob

Quem já faz parte do Skoob sabe que é uma rede social baseada em leitores. Muito interessante. Pois agora há lá uma promoção muito legal, na qual os usuários podem ganhar 10 livros muito bons à escolha. Veja mais: http://www.skoob.com.br/promocao/codigo/47563

Eu já estou concorrendo!
Abraço!