Mostrando postagens com marcador Filmes em 2010. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Filmes em 2010. Mostrar todas as postagens

domingo, 18 de julho de 2010

O Equilibrista

Grande documentário, ganhador do Oscar. Narra os esforços do equilibrista francês Phillippe Petit em entrar clandestinamente no alto do World Trade Center, nos anos 70, e andar sobre uma corda esticada entre as duas torres. Um filme motivador, a respeito de um sujeito que acreditou em um sonho impossível e batalhou para atingi-lo. Foi preciso meses de estudos para a arriscadíssima empreitada, lembrando até o preparo para um ataque terrorista, o que resulta em um filme cheio de suspense. O resultado colocou o protagonista, literalmente, no topo do mundo. Não deve haver melhor metáfora para a conquista dos nossos sonhos (5 estrelas em 5)

sábado, 10 de julho de 2010

Lost in Translation

É muito gostoso rever esta obra-prima de Sofia Coppola. Lost in Translation (no Brasil, Encontros e Desencontros) é um filme iluminado. Mais do que isso, é um filme afinado. Pois muito de seu sucesso é devido ao perfeito uso do som. Na verdade, tudo foi desenvolvido de forma tão perfeita que é difícil saber por onde começar a falar bem: as locações, a fotografia, o elenco, os diálogos, a música... tudo contribui para a felicíssima experiência que o filme promove, atingindo o espectador em suas mais profundas emoções.

Há que se ressaltar o papel importante que o Japão tem na história, situando os protagonistas em um local muito distante de seus lares, uma ilha, onde a língua é incompreensível e o povo tem comportamentos que surgem como exóticos — retratando o deslocamento e a estranheza que ambos estão sentindo em suas vidas.

O ator Bob Harris (Bill Murray, perfeito) chega a Tóquio para passar alguns dias, onde gravará comerciais para a campanha de uma marca de wisky. No luxuoso hotel onde fica hospedado conhece Charlotte (Scarlett Johansson), uma bela jovem deixada sozinha por seu marido fotógrafo enquanto ele faz um trabalho fora. O encontro dessas duas almas torturadas pelas dúvidas da vida adulta lhes marcará para sempre.

Lost in Translation possui muitas virtudes, mas a maior delas é a de situar o espectador dentro de uma história sem grandes acontecimentos externos, porém de grande beleza emocional. A dupla apenas conversa, passeia e faz coisas simples como ir a um hospital para tratar uma ferida na unha do pé, mas é tudo tão bem orquestrado pelos sons diegéticos e por uma simpatia visual, que coloca o espectador dentro desta pequena grande jornada interna na alma de duas criaturas apaixonantes.

Há um termo usado na psicoterapia chamado rapport: trata-se do estabelecimento de uma sintonia fina entre duas pessoas, que ocorre de maneira sutil, quase invisível. Podemos não notar, mas muitas vezes simpatizamos com pessoas que estão tendo algum rapport conosco, às vezes porque o movimentos dos olhos estão parecidos com o nosso, ou então o ritmo como ela batuca as mãos é o mesmo que estamos impondo aos nossos pés, por exemplo. Pois Bob e Charlotte estabelecem um intenso rapport entre si, e o melhor: nós, que estamos os assistindo, entramos em rapport com eles, e somos capazes de sentir o que eles estão sentindo. É por isso que, em determinados momentos, eles nem precisam falar, pois eles (e nós) sabemos o que estão pensando. Isso fica claro em alguns momentos tocantes (e aí é outra mostra do importante papel dos sons no filme) em que as letras das músicas falam por eles.

E é também por isso que uma das cenas mais belas, quando Bob sussurra algo no ouvido dela, é tão majestosa: não sabemos o que ele lhe falou, mas não importa. Aquilo parece mais um sopro de esperança e de beleza na sua vida. É triste ver a despedida dos dois, que terão que voltar às suas vidas de rotinas, dúvidas e responsabilidades. Mas aquela esperança mágica a que eles tiveram contato em uma semana em Tóquio... esta eles levaram para si, e nós trazemos conosco. (5 estrelas em 5)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Nosferatu

Mais um filme da série "ainda bem que não assisti quando era criança, senão ficaria traumatizado". Provável primeiro filme de vampiro da história do cinema, Nosferatu (1922) é um clássico do expressionismo alemão, indispensável para qualquer fã de terror.

A produção é, na verdade, uma adaptação de Dracula, mas problemas envolvendo os direitos autorais fizeram com que os realizadores trocassem os nomes dos personagens. Fora isso, o filme é até bastante fiel ao livro.

Não sei exatamente o que tanto me atrai nos filmes mudos, dos anos 20. Gosto desses filmes muito mais do que os produzidos nos anos 50, por exemplo. Acho que pode ser o fato de que eles lembram sonhos. No caso de um filme de terror mudo, é o que mais se aproxima de um pesadelo.
(5 estrelas em 5)

Obs: Não deixe de assistir A Sombra do Vampiro, filme de 2000 com John Malkovich e Willem Defoe que recria as filmagens de Nosferatu, sendo que o protagonista era um vampiro de verdade e cujo cachê era pago em sangue!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Crimes e Pecados - Woody Allen

Woody Allen é incrível: se você observar a filmografia do cineasta, verá que ele lança um filme por ano, desde o início de sua carreira. Normalmente, o artista que produz tanto assim raramente entrega uma obra-prima. Mas talvez seja essa a diferença entre Allen e a maioria dos outros artistas, de qualquer área, na atualidade. Mesmo em seus trabalhos menores, como Scoop, Os Trapaceiros e Sonho de Cassandra, há seu toque inconfundível. E volta e meia, digamos a cada cinco filmes, ele apronta algo fantástico.

É o caso de Crimes e Pecados, seu filme de 1989. Imagino que este seja um dos poucos trabalhos, senão o único, capaz de apresentar uma síntese de sua obra: nele há, paralelamente, uma trama de suspense e uma tragicômica. Há os diálogos engraçados, assim como momentos de grande tensão. Há ótimas atuações, e o próprio Allen está no elenco, interpretando aquela sua velha persona neurótica, falastrona e pessimista que faz tanto sucesso. E também há uma direção e um roteiro bastante criativos, como nem sempre se vê nos filmes dele.

Quem gosta de Woody Allen sabe que há dois tipos básicos de filmes que ele entrega: os suspenses (Matchpoint, Sonho de Cassandra) e as comédias (Tudo Pode Dar Certo, Dirigindo no Escuro). Normalmente há um pouco de suspense nas comédias; porém, nos suspenses, há um humor muito sutil e elegante, o qual pode passar despercebido (não vemos em Matchpoint, por exemplo, um personagem que já causa risos só pela aparência cômica ou pelas piadinhas infames). Pois bem: Crimes e Pecados segue justamente duas histórias, uma de suspense e outra de humor, saindo-se muito bem em ambas. E é por isso que sempre vou considerar este filme como referência para se apreciar o cinema de Allen (e o cinema em geral).

A trama de suspense é bastante parecida com a de Matchpoint e de Cassandra's Dream, envolvendo assassinato e a culpa que se segue no assassino. Já a tragicomédia mostra Allen como um cineasta fracassado que se vê obrigado a dirigir um documentário sobre seu irritante e bem-sucedido cunhado, a quem ele detesta.

Cheio de divagações filosóficas e religiosas, Crimes e Pecados culmina em uma magnífica cena final, quando as duas histórias se encontram, na qual Allen usa de forma muito inteligente a metalinguagem. É um momento instigante do cinema, usando a arte e a vida para se falar da arte e da vida. Genial! (5 estrelas em 5)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

60 filmes

Até agora assisti 60 filmes em 2010, e escrevi um comentário sobre cada um. A média é baixa, mas este ano está sendo diferente para mim. Além disso, não estou contabilizando as séries que estou acompanhando. Vi a 1ª temporada de Lie to Me e muitos episódios de House, que se fossem filmes seriam pelo menos mais uns 30. Segue a lista:

1- Crepúsculo

2- Os Gonnies

3- Te Amarei Para Sempre

4- Desejo e Perigo

5 – Avatar

6- O Escafandro e a Borboleta

7- Mary & Max

8- Sempre ao seu Lado

9- 2012

10- 500 Dias com Ela

11- La Nana

12- Lunar

13- A Estrada

14- Os Normais 2

15- Anticristo

16- Os Homens que Encaravam Cabras

17- Ta Rindo de Que?

18- Harry Potter e o Enigma do Príncipe

19- Sherlock Holmes

20- O Fantástico Senhor Raposo

21- A Onda

22- Preciosa

23- A Terra de Van Deimen

24- O Que Você Faria?

25- A Aura

26- Daybreakers

27- Um Homem Sério

28- Mother

29- O Guia Pervertido do Cinema

30- O Sol por Testemunha

31- O Caçador

32- Memórias Póstumas de Brás Cubas

33- Kamchatka

34- O Segredo dos Seus Olhos

35- Agora

36- Ilha do Medo

37- Nove Rainhas

38- O Mesmo Amor, A Mesma Chuva

39- Enigma de Outro Mundo

40- Tropa de Elite

41- Abraços Partidos

42- Chico Xavier

43- Homem de Ferro 2

44- Era do Gelo

45- Kick Ass

46- Valhalla Rising

47- Doomsday

48- Os Homens que Não Amavam as Mulheres

49- A Menina que Brincava com Fogo

50- A Rainha do Castelo de Ar

51-The Runaways

52- A Ressaca

53- O Golpista do Ano

54- Tudo Pode Dar Certo

55- Toy Story 3

56- Horas de Desespero

57- Blade Runner

58- La Herencia Valdemar

59- Greenberg

60- O Pequeno Nicolau


O Pequeno Nicolau

Uma graça esta produção infantil francesa, no melhor sentido da palavra "infantil". Há quanto tempo eu não via um filme com crianças realmente graciosas (e não aquelas pentelhas de Os Batutinhas, por exemplo). Aqui a história nem importa tanto, apesar de ser interessante: a verdadeira graça de O Pequeno Nicolau está na inocência do olhar infantil sobre o mundo. E na profunda psicologia dos personagens. O roteiro é cheio de situações interessantes que até lembra uma série de tirinhas de quadrinhos adaptadas para o cinema, mas todas interligadas de forma orgânica. Um filme para ver, rever, e guardar para se assistir com os filhos. (5 estrelas em 5)

terça-feira, 6 de julho de 2010

Greenberg


Greenberg não é mais uma comédia de Ben Stiller. Trata-se de um drama com alguns toques inteligentes de humor, no qual ele encarna um homem de 40 anos que vive uma crise típica da sua idade. Solteiro, sem filhos e com um histórico de problemas psiquiátricos, ele vive como marceneiro enquanto vê seu irmão e alguns amigos prosperarem, e procura acreditar que esta foi sua opção de vida.

A direção de Noah Baumbach é bastante sensível, abordando corretamente a melancolia e a angústia dos protagonistas. O roteiro apresenta, portanto, algumas faces da decepção sofrida por adultos quando estes percebem que não podem viver para sempre como jovens. É um filme atraente, principalmente devido a simpatia que seus personagens causam no público: todos sofrem, até mesmo o cachorro, que tem uma doença auto-imune. E se há uma recorrente tentativa de buscarem a felicidade perdida através de um retorno ao comportamento juvenil, Baumbach mostra que isso só causa mal-estar e exaustão.

As comparações mais óbvias a se fazer é com Lost in Translation e Sideways, mas sem a mesma genialidade daquelas. (4 estrelas em 5)

domingo, 4 de julho de 2010

La Herencia Valdemar

Interessante terror espanhol, baseado no universo de H.P. Lovecraft, e que faz justiça ao autor: a presença de mansões misteriosas, pessoas desaparecidas e ocultismo contribui para criar um clima bastante sombrio e charmoso, digno de romances góticos.

O início mostra uma jovem corretora indo avaliar a macabra mansão Valdemar, no interior da Espanha, depois que um colega de trabalho desapareceu. Como a moça também não retorna, a empresa contrata um detetive particular para encontrá-la, e é quando a presidente da imobiliária lhe conta a história por trás do imóvel. A maior parte do filme relata esse flashback sobre o que aconteceu com o apaixonado casal Valdemar, que viveu na casa no século 19 e cuja história termina em tragédia depois que o marido precisa pagar um favor ao famoso ocultista Aleister Crowley.

Além de Crowley há na trama a participação de outros três sinistros personagens reais : Bram Stoker, Lizzie Borden e Belle Gunnes. E esta mistura com a realidade não soa gratuita, pois em vários momentos o roteiro procura usar o momento histórico na trama, com menções a costumes da época, a doenças que ainda não tinham cura e ao início de movimentos como o feminismo e o espiritismo.

O fator sobrenatural só entra nesta parte da história depois que os personagens já foram bastante desenvolvidos, o que é crucial para uma tensão sempre crescente, aumentando o drama dos protagonistas.

La Herencia Valdemar é um ótimo programa para quem gosta de terror e já está cansado das bobagens produzidas ultimamente em Hollywood. Um filme que consegue resgatar muitos elementos clássicos do gênero, tanto do cinema quanto da literatura, do folclore e da História. E o melhor: esta é apenas a primeira parte. Após os créditos finais há cenas da continuação, cuja estreia é prometida para outubro de 2010, e que já revelam que vem coisa ainda melhor por aí, principalmente para os fãs dos Mitos de Cthulhu. (4 estrelas em 5)

Dois film noir

Blade Runner, O Caçador de Andróides : É muito bom rever, depois de muitos anos, este clássico do cinema, considerado por muitos críticos como um dos melhores filmes já feitos. Só o original uso de elementos de film noir em uma ficção científica já é genial, mas ainda temos muita coisa com que ficarmos embasbacados durante toda a duração, a começar pelo visual futurista. Se há algum problema, é o fato de ser muito curto, pois nos deixa muito curiosos para saber mais a respeito dos interessantíssimos replicantes interpretados pelos jovens Rutger Hauer, Daryl Hanna e Sean Young. Baseado no livro Do the Androids Dream of Eletric Sheep?, de Philip K. Dick. Foi e continua sendo referência para muitas ficções científicas. (5 estrelas em 5 - com honra!)

Horas de Desespero : Clássico de 1955, dirigido por William Wyler, com Humphrey Bogart em papel de vilão. Traz a história de uma família cuja casa é invadida por três bandidos em fuga e a mantêm como refém, até um embate final. Há uma boa dose de tensão, apesar de alguns problemas típicos de filmes da época, mas ainda funciona. A história é levemente baseada em fatos reais. Achei interessante a mistura que faz entre os film noir e aqueles clássicos filmes água com açúcar protagonizados por uma família de classe média. Foi refilmado em 1990 por Michael Cimino, com Mickey Rourke no papel que foi de Bogart. (3 estrelas em 5)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Mais uns filmes para a lista de 2010

Toy Story 3 : Caramba, a Pixar acertou outra vez no alvo! A animação é fantástica, encerrando (?) a trilogia de forma inesquecível. Um dos desenhos animados mais sombrios e melancólicos que já vi, e que me fez chorar várias vezes durante a projeção. Clássico! (5 estrelas em 5)

Tudo Pode Dar Certo : Novo trabalho de Woody Allen, e dos bons. Na verdade não há nada de muito novo aqui, mas afinal, o que é que podemos esperar de um novo filme dele? Eu sempre rio muito de várias piadas, apesar de saber que o cara é ateu e pessimista ao extremo. E apesar de saber que o filme terá um óbvio e "inesperado" final feliz, mesmo que isso seja apenas sarcasmo do cineasta. Desta vez o roteiro traz o relacionamento entre um insuportável idoso (que poderia muito bem ter sido interpretado por Allen) e uma jovem caipira que vai morar em Nova Iorque. (4 estrelas em 5)


O Golpista do Ano : Jim Carrey encarna um golpista gay que ganhou muito dinheiro com inteligentes fraudes e que conseguiu fugir 14 vezes da cadeia devido aos seu talento para enganar os outros. E é uma história real! Sim, apesar de ser difícil decidir se o filme é uma comédia típica das de Jim Carrey ou se é um drama pesado. O negócio é que a produção funciona como ambos os gêneros, pesando mais para a comédia. A participação de Rodrigo Santoro é pequena, mas fiquei surpreso com sua atuação, principalmente em uma cena em particular. O brasileiro tem futuro em Hollywood. (4 estrelas em 5)

A Ressaca : Com esse péssimo título nacional, não será de estranhar que muita gente deixe passar em branco esta simpática e despretenciosa comédia — portanto é melhor referir-se ao filme pelo nome original, Hot Tub Time Machine (literalmente, "banheira máquina do tempo"). Trata-se de uma verdadeira homenagem às comédias dos anos 80, que consegue ser tão honesta ao estilo que parece que, em muitos momentos, realmente foi produzida naquela época. Conta a história de três amigos de meia idade que voltam no tempo até 1986, quando eram adolescentes. O roteiro não se importa em explicar detalhes da viagem no tempo, preferindo investir em piadas sobre aquela divertida década. Mistura de Pork's (a censura é R nos EUA) com pitadas de De Volta Para o Futuro. (4 estrelas em 5)

domingo, 27 de junho de 2010

A Rainha do Castelo de Ar

Depois dos dois primeiros filmes da série, A Rainha do Castelo de Ar se revela um tanto arrastado e com menos ação. Se em Os Homens que Não Amavam as Mulheres era uma interessante investigação que dava o tom da narrativa, e em A Menina que Brincava com Fogo havia uma crescente ameaça representada pelos vilões, o terceiro episódio aposta no suspense de tribunal para encerrar a série. A direção é boa, mas o que peca é o roteiro, que mantém a heroína Lisbeth Salander durante a maior parte do tempo em um hospital e, posteriormente, em seu julgamento. Há, sim, algumas cenas de tirar o folêgo, mas em número muito menor do que as vistas no filme anterior. Creio que faria bem para o filme se alguns dos seus 135 minutos fossem cortados. (3 estrelas em 5)

sábado, 26 de junho de 2010

The Runaways

The Runaways foi uma banda de punk rock composta só por mulheres, que fez grande sucesso no final dos anos 70, apesar da curta trajetória. Baseado no livro de Cherie Currie, vocalista do grupo, o filme faz uma inspirada recriação do visual e dos shows das garotas, mas mostra pouco delas. O foco do roteiro é a difícil adaptação da estrela do grupo, Cherie, ao estilo de vida hardcore que o trabalho exigia. Afinal, ela era uma adolescente comum que teve que deixar a irmã gêmea e o pai alcoólara para ter uma rotina de viagens, noitadas, drogas, superexposição na mídia e brigas com as colegas e com o produtor.

Kristen Stewart (de Crepúsculo, caso alguém ainda não saiba) interpreta a guitarrista Joan Jett, e sua atuação não difere muito do que ela já fez em todos os filmes em que trabalhou. O filme pertence mesmo a Dakota Fanning, que cresceu e revelou-se uma atriz muito versátil. Mas também merece destaque a interpretação de Michael Shannon no papel do produtor Kim Fowley, que deu vida ao grupo.

Dito isso, The Runaways, o filme, é uma boa cinebiografia das roqueiras. Creio que muita coisa importante foi cortada, como a turnê mundial com os Ramones, o lançamento dos quatro álbuns e as diversas mudanças na formação. Mesmo assim vale a pena pelo cuidadoso trabalho de figurino, a ótima encenação das apresentações ao vivo e, principalmente, por apresentar às novas gerações a postura rock n' roll de Joan Jett, que criou hinos como I Love Rock N' Roll e continua até hoje na estrada. (4 estrelas em 5)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Filmes no feriado

Os Homens que Não Amavam as Mulheres: Excelente thriller sueco, baseado no primeiro livro da trilogia Milennium. Narra a investigação de um desaparecimento ocorrido há 40 anos, feita por um jornalista e pela investigadora Lisbeth Salander, grande heroína da série. Ela é um gênio da pirataria digital, capaz de conseguir informações com grande facilidade, e tem um estilo de vida punk — e um passado dolorido a assombra até os dias de hoje. Nem preciso dizer que adoro esses thrillers que não envolvem só a investigação de um crime, mas também os dramas dos personagens (vide Zodíaco e O Segredo dos Seus Olhos). Filme muito bem conduzido. Me deixou louco para assistir a segunda parte, A Menina que Brincava com Fogo. (5 estrelas em 5)

A Menina que Brincava com Fogo : Seguindo a receita de que continuações devem reforçar tudo o que deu certo no original, o segundo filme da série Milennium mostra-se como uma versão bombada do primeiro, com mais violência, uma trama mais complexa, vilões mais caricatos e elevando a personagem Lisbeth Salander quase à condição de uma super-heroína. Aqui o seu destino volta a cruzar com o do jornalista Blomkvist depois que este descobre uma rede de tráfico de mulheres. O mais interessante do roteiro é que amarra pontas deixadas soltas no primeiro filme e se aprofunda nas feridas da protagonista, mantendo-se coeso ao tema "crimes praticados contra mulheres". Há muito mais ação do que no primeiro filme, e certos exageros podem desgostar aqueles que esperavam uma trama mais realista, mas há de se convir que os vilões fazem o espectador realmente temer pela segurança dos heróis. Comparando-se com Os Homens que Não Amavam as Mulheres, creio que o primeiro era mais charmoso, mas o segundo só podia seguir o caminho que seguiu para manter a série interessante e renovada, sem perder a personalidade. Agora resta assistir A Rainha do Castelo de Ar. (5 estrelas em 5)

Juízo Final (Doomsday) : Prefiro nem dedicar muitas linhas a esta tremenda bomba. Eu já havia percebido que o diretor Neil Marshall era um cara sem talento quando vi o ruim Dog Soldiers. Porém, o ótimo The Descent havia feito eu dar uma chance para o cara. Doomsday é uma idiota tentativa de misturar Extermínio, Fuga de Nova Iorque e Mad Max, inclusive copiando cenas na cara dura. Mas o filme com que ele mais consegue se parecer é o fraco Corrida Mortal (de Paul W.S. Anderson). (1 estrela em 5)

sábado, 29 de maio de 2010

Valhalla Rising


Quando eu assistia Valhalla Rising, filme do cineasta Nicolas Winding Refn (de Bronson), fiquei pensando: "Puxa, esse diretor faria uma ótima adaptação de Thor ou de outra HQ". As imagens estáticas, lembrando quadrinhos, as cenas de violência e, no geral, a aparência ameaçadora de todos os personagens, não me fizeram pensar outra coisa. Porém, é preciso reconhecer que este filme não tem mais nada do que é necessário a um blockbuster. Trata-se de uma produção bem crua, quase sem diálogos e tão lenta que chega a ser um desafio não cochilar durante algumas cenas. Cochilos esses que são interrompidos justamente pelas inesperadas ondas de ação e violência, que ocorrem três ou quatro vezes até que os créditos finais surjam na tela. Valhalla Rising passa-se no ano 1000 dC e acompanha um imbatível guerreiro nórdico, que não fala uma só palavra durante todo o filme e tem um olho furado (o que lhe rende o apelido de One Eye). Ao escapar do grupo que o mantinha como prisioneiro, junta-se a uma pequena cruzada que busca a Terra Santa, sendo sempre seguido por um menino, que "traduz" seus pensamentos para os outros.

E é só.

Se eu contar mais vou acabar revelando o final, pois é muito pouco o que acontece nos apenas 93 minutos de filme, divididos em 6 capítulos. Bem, temos algumas mortes chocantes pelo caminho e um clima de paranoia que vai se instalando nos personagens ao perceberem que estão perdidos. Mas isso é muito pouco depois do promissor início, que mostra One Eye acabando com a raça do bando que o prendia.

Ainda assim, é claro que vão ficar na minha cabeça as cenas do "herói" esmigalhando um crânio até aparecer os miolos da vítima, ou então abrindo a barriga de um sujeito e arrancando suas tripas, e até uma luta em particular em que One Eye usa uma corda para quebrar o pescoço de um cara (inteligente é o garotinho que fica amigo dele, porque seus inimigos só se ferram). Ponto positivo também é a criação de uma Idade Média realista, apesar da ausência de cenários, mostrando homens feios, sujos e barbudos em paisagens montanhosas e lamacentas.

Portanto é uma pena que, mesmo com tudo isso, Valhalla Rising acabe sendo chato. Quer dizer: é parado e, talvez, intelectual demais para um "filme de macho". Mas ainda assim é impressionante em alguns aspectos. Arrisque assistir, mas sem sono e longe da namorada. (3 estrelas em 5)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Kick Ass

Baseado em uma graphic novel, Kick Ass surpreende por ser um filme americano, e não japonês. É que no cinema oriental é mais comum ver os exageros e certas cenas de maior violência envolvendo crianças e adolescentes.

Mas antes de qualquer outra coisa, é bom saber que Kick Ass é muito divertido. Parte de seu clima lembra demais o de filmes como Superbad - É Hoje, retratando adolescentes nerds que leem histórias em quadrinhos, passam o dia no computador e não fazem nenhum sucesso com as garotas. Por outro lado, não menos divertido, a produção lembra alguns filmes dos nossos amigos asiáticos, como Battle Royale, MachineGirl, e tantos outros.

Na verdade Kick Ass não tem cenas tão violentas, como alguns tem comentado. Creio que o maior "susto" com relação a ela seja somente por envolver personagens muito jovens. E essa violência vem de forma tão absurda que, em quase todos os casos, é causadora de risos. Por exemplo, quando o pai vivido por Nicolas Cage atira na própria filha, de uns 10 anos de idade, que está usando um colete à prova de balas. Ou quando a menina chacina toda uma gangue de traficantes em um apartamento, usando uma espada ninja.

Kick Ass conta a história de um adolescente que, cansado de ser tratado como invisível pelos colegas, e de ver tanta injustiça sem que ninguém tome providências, resolve fantasiar-se e sair nas ruas para combater o crime. Mas, quando luta, um cara desajeitado e sem nenhum treinamento como o protagonista acaba ferindo mais a si próprio do que aos marginais. Mesmo assim seus vídeos fazem sucesso no Youtube e ele vira uma espécie de celebridade.

De outro lado há a jovem Hit Girl e seu pai, interpretado por Nicolas Cage — estes sim, verdadeiros heróis (ou anti-heróis, sei lá, mas pelo menos eles sabem lutar e usar armas). Um encontro dos dois com Kick Ass é inevitável, e os três acabarão lutando juntos contra uma quadrilha de gângsters.

Durante alguns momentos, principalmente nos que mostram o caminho de um estudante comum cruzar com o de um mafioso perigoso, cheguei a notar semelhança deste filme com alguns dos anos 80, voltados para o público jovem, como Uma Noite de Aventuras (aquele da babá).

Há muitas cenas engenhosas, que seguem o visual de quadrinhos, e a trilha sonora é muito, muito boa. Bem, não é um filme que vai mudar a vida de alguém, mas ele garante um ótimo divertimento. (4 estrelas em 5)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Era do Gelo 1

Apesar de eu já ter assistido antes, vale aqui o registro para minhas anotações: revi neste final de semana A Era do Gelo 1. Bem, é muito melhor que a terceira parte, mas já envelheceu um pouco e não me impressionou nada nos quesitos técnicos (muito pelo contrário), além de não ter me emocionado (ao contrário de quando vi pela 1ª vez) e de ter se revelado uma historinha não muito bem desenvolvida. Apesar disso, adoro o bichinho às voltas com a noz e a aparição inesperada de um disco voador congelado. (3 estrelas em 5)

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Homem de Ferro 2


Tive a oportunidade de assistir a este filme no lugar correto, ou seja, no cinema. Sim, pois eliminado-se as cenas de ação e as pirotecnias, sobra muito pouco na tela para apreciarmos. Não que seja ruim, mas não dá para comparar com o longa original. Nesta continuação não há um roteiro legal e movimentado (cheguei a cochilar no cinema) e as tentativas de humor funcionam poucas vezes. Como ponto alto há o vilão interpretado por Mickey Rourke (e não deixa de ser interessante ver em combate dois atores que chegaram ao fundo do poço e deram a volta por cima): Robert Downey Jr. entrega tudo aquilo que fez (muito bem) em Homem de Ferro, roubando todas cenas, mas Rourke não fica para trás, e só sai perdendo devido ao seu papel absurdo, de um sujeito ao mesmo tempo ameaçador e brilhante.
As presenças de Scarlett Johansson e Samuel L. Jackson são divertidas, mas inúteis. Porém, foi legal a participação de Sam Rockwell, de Lunar, como um antagonista de Tony Stark (e não exatamente do Homem de Ferro).
Com as melhores cenas já reveladas no trailer, Homem de Ferro 2 também deixa a desejar por se esforçar em servir como uma publicidade de luxo para outros filmes da Marvel que estão para estrear, como Thor, Capitão América e Os Vingadores, já que faz questão de fazer referências óbvias a estas produções. (3 estrelas em 5)

domingo, 18 de abril de 2010

Filmes


Chico Xavier : A aguardada cinebiografia do maior médium do Brasil (do mundo, na verdade) é um grande filme nacional. Muitos olharam com desconfiança, incluindo eu, o fato de ser dirigido pelo Daniel Filho e por contar com tantos atores da Globo no elenco: puro preconceito! O diretor entregou realmente um filme de cinema, e o elenco trabalha tão bem que esquecemos que já conhecemos aquelas carinhas há tanto tempo. Letícia Sabatella, por exemplo, tem uma participação tão especial que é uma pena que não tenha mais tempo em tela. Giovana Antonelli tem o seu melhor papel até hoje. A dinâmica entre Cristiane Torloni e Tony Ramos é fantástica, resultando em duas atuações muito emocionantes, dignas de Oscar. E olha que ainda nem falei dos principais: os intérpretes do protagonista. O trabalho de Nelson Xavier é fantástico, daquelas atuações mediúnicas mesmo (como a de Daniel Oliveira em Cazuza, a de Val Kilmer em The Doors e a de Jamie Foxx em Ray). Porém, é um trabalho que até empalidece diante da interpretação do médium mais jovem. Angelo Antonio encarna Chico de um modo tão doce, e tão ingênuo, com aquele sotaque "minerim", que para mim foi um dos personagens mais apaixonantes que já vi no cinema.

Pois bem, apresentado o trabalho dos atores, vamos ao roteiro. Baseado na biografia As Vidas de Chico Xavier, escrita pelo jornalista Marcel Souto Maior, o filme conseguiu extrair as melhores partes do livro, e ainda inovou: ao invés da narração em ordem cronológica, a história começa durante a histórica participação de Chico Xavier no programa Pinga Fogo, da TV Tupi, quando ele foi colocado à prova por vários entrevistadores. Ao responder questões sobre sua vida, ele vai recordando e acompanhamos suas memórias desde que era menino na cidade mineira de Pedro Leopoldo. Volta e meia o filme deixa as lembranças de lado e retorna ao programa, cujas cenas são inseridas de forma muito orgânica na trama. E além disso, acompanhamos o caso do diretor do Pinga Fogo, interpretado por Tony Ramos: um ateu que perdeu o filho e que vive uma crise no casamento por conta desta tragédia. Esta parte é inspirada no famoso caso real em que uma carta psicografada por Chico foi aceita como prova em um tribunal e libertou um réu da cadeia, já que a própria vítima disse ter sido morta por acidente de disparo de arma de fogo. Portanto, o roteiro foge de ser episódico e mostra-se mais dinâmico do que o livro. Uma questão interessante que preciso comentar é o fato de que o texto não subestima a inteligência do espectador: há várias sequências em que não está tudo explicadinho, e o público precisa prestar muita atenção e usar o cérebro para entender, como no caso dos jornalistas da revista Cruzeiro que tentaram enganar Chico passando-se por jornalistas estrangeiros, mas foram desmascarados.
Ok, roteiro aprovado, vamos comentar a direção de Daniel Filho.

Talvez seja neste ponto que o filme peque um pouco. Mesmo assim, não é nada que estrague o trabalho final. Só acho que o diretor poderia ser mais sutil em alguns momentos, como quando insere uma luz vermelha diante de um prostíbulo, ou quando todos os passageiros de um avião falam juntos a mesma palavra, quase estragando a piada que havia sido contada anteriormente. Outro ponto quase negativo que tenho que comentar é a trilha sonora equivocada. Quer dizer, os temas de suspense são bem intrigantes. Mas os melancólicos deixam a desejar, e caso eles fossem melhores poderiam fazer o filme ser mais emocionante. Mas creio que sejam pecadilhos diante da grandeza do filme. Pois para quem esperava uma produção em tom novelesco, como Olga, por exemplo, Chico Xavier é um Filme com F maiúsculo, realizado com técnicas de Cinema, e não de TV.

Assim, para fechar bem meu comentário sobre o filme, quero apenas dizer que várias cenas não sairão da cabeça do espectador: a do avião em pane, os doces momentos do padre interpretado por Pedro Paulo Rangel, as durezas do espírito Emmanuel, as marcas na barriga do pequeno Chico ocasionadas pela sua madrinha que lhe espetava garfos, o momento em que Tony Ramos cede às evidências e muda sua posição quanto à veracidade das cartas psicografadas, entre muitas outras.

Chico Xavier - o filme - é um retrato apaixonado do homem Chico Xavier, e dá pouco espaço para o mundo espiritual, preferindo concentrar-se naquilo que era visível para nós, aqui na Terra, sem criar um manifesto espírita no cinema. Se o público tiver motivos para admirar mais o médium depois de assistir a esta obra, será exclusivamente pelos seus admiráveis e inegáveis atributos humanistas, e não pelos seus méritos mediúnicos. (5 estrelas em 5)

Abraços Partidos : Novo filme do diretor Pedro Almodóvar, que foi malhado pela crítica. Por conta disso, assisti sem muitas esperanças, mas acabei não me decepcionando. Na verdade é um legítimo Almodóvar, com todos os elementos que há em seus últimos trabalhos: erotismo, fotografia de cores fortes, suspense, homossexualismo, metalinguagem... Na verdade, o que Almodóvar faz é mais ou menos o que o Tarantino tem feito. Enquanto o americano cria filmes estilizados baseados em filmes B e livrinhos baratos, o espanhol cria filmes estilizados baseados em melodramáticas historinhas novelescas. Mas até então Almodóvar sempre usou essa estética de forma muito equilibrada e conseguiu criar dramas muito convincentes atrás de uma fachada colorida e kitsch, e em Abraços Partidos parece que ele "abraça" demais esse tom meloso e passional, em detrimento do desenvolvimento das personagens. Não que isso atrapalhe muito. Afinal, são esses elementos que fazem o seu sucesso. Mas essa opção diminui as chances do filme envelhecer bem e de lhe possibilitar um estudo mais aprofundado.

Na trama, acompompanhamos um escritor cego que lembra de seu antigo caso com uma atriz casada (Penélope Cruz) quando se aventurou a dirigir um filme. Há muitas cenas gratuitas, como as que mostram a doença do pai dela, e o afilhado do diretor indo em coma após usar drogas. A explicação no ato final também me soou inadequada e longa demais. Porém, o filme tem muitas qualidades, todas já conhecidas dos fãs do cineasta espanhol. E fiquei muito surpreso quando percebi que o "filme dentro do filme" era uma espécie de remake de Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos, dirigido pelo próprio Almodóvar em 1988. (4 estrelas em 5)

sábado, 3 de abril de 2010

Filmes

Tropa de Elite : Como é bom revisitar uma obra bastante comentada depois que a poeira já abaixou! Só assim para apresentar uma opinião mais honesta, isenta e, consequentemente, mais confiável. Pois antes que se volte a falar deste grande sucesso brasileiro, já que logo vai sair uma continuação, aproveitei para revê-lo. E, uau! Continua exatamente com a mesma força da época do hype. Creio que nesta minha segunda olhada, Tropa de Elite mostrou-se ainda mais importante, pois o saboreei não apenas como um produto de entretenimento. Na época em que assisti lembro que o cinema estava lotado, e o grande público jovem se divertia a valer com aquelas falas do Capitão Nascimento que se tornaram populares bordões ("Pede pra sair", "Você é um fanfarrão", etc). A importância do filme, em primeiro lugar está na corajosa acusação feita contra as classes A e B, grandes consumidoras de drogas, e contra a corrupção policial. Mas vai muito além: edição furiosa, interpretações corajosas, direção cuidadosa e trilha sonora maravilhosa. Outro ponto importantíssimo, e responsável direto pelo sucesso do filme, foi o seu humor. Se investisse apenas no clima opressivo da violência dos morros, cairia no lugar comum. Mas o filme tem o alívio cômico de situações bizarras, como durante o desumano treinamento do Bope, e a grande cara de pau dos policiais corruptos. Um filme forte, muito bem orquestrado, que deixou sua marca na história do cinema brasileiro. Vale a pena rever! (5 estrelas em 5)

sábado, 27 de março de 2010

Filmes

O Enigma de Outro Mundo : Quando criança, sempre tive medo de assistir a esta produção de John Carpenter, e fiquei com essa lacuna sem ser preenchida, o que me frustava muito. Pois hoje resolvi este problema, já que tanta gente comenta que o filme tornou-se um clássico (na época do lançamento foi fracasso de bilheteria). Minha opinião: não é para tanto. É claro que há um visual muito charmoso, alguns movimentos de câmera interessantes, e o ótimo climão de quadrinhos de sci-fi. Os efeitos também são ótimos, continuando a impressionar depois de tantos anos (nada de CGI, baby - aqui só vemos gosmas reais!). Porém, o filme encontra um grave problema: o roteiro. Bem, talvez nem seja esse o problema, já que não se poderia esperar nada muito diferente da história de um grupo de americanos na Antártida caçado por uma monstruosa criatura alienígena (quase a mesma história de Alien, vale dizer). Mas os diálogos são bem ruins, assim como as tentativas de se explicar alguns fatos cientificamente (A visão da célula canina transformando-se em outra na tela de um ultrapassado computador é hilária!). Os diálogos, risíveis ("O efeito de retro-dispersão tem trazido coisas à tona de muito abaixo da superfície até aqui por um longo tempo. Eu diria que o gelo tem, no mínimo, 100 mil anos"), assim como detalhes (que não são tão detalhes assim). Afinal, qual trabalho os americanos estão fazendo? Os caras só ficam lá na estação deles, sem fazer nada; sabemos que entre eles há um médico, mas eles também têm armas. Kurt Russel, que é o protagonista, é apenas o piloto de helicóptero. E me incomodei por os personagens sempre falarem que o frio é de 40 graus negativos, mas eles nunca parecem tremer, e nem precisam de muitas roupas (apesar disso, gosto do efeito de barba congelada dos atores). Por conta desses vários pequenos problemas, a produção acaba não sendo muito divertida, e custa a passar. Uma pena, pois poderia ter sido, de fato, um clássico. (2 estrelas em 5)

Update: fiz algumas observações no meu comentário logo abaixo, em resposta ao do Mário.

O Mesmo Amor, A Mesma Chuva : um dos meus cineastas preferidos, o argentino Juan Jose Campanella fez aqui a primeira parceria com o ator Ricardo Darín, que viria a se repetir em O Filho da Noiva, Clube da Lua e no oscarizado O Segredo dos seus Olhos. A história começa em 1980, trazendo como protagonista o autor Jorge Pelegrini, que escreve contos para uma revista. O roteiro vai abordar a passagem do tempo até os anos 90, mostrando seus amores, seus medos, suas paixões, seus conflitos e a situação política argentina, muito parecida com a brasileira, que saiu de uma ditadura militar na mesma época e teve que aprender a lidar com a nova realidade. Jorge passa de um escritor idealista e romântico vindo dos anos 70 a um cínico crítico nos anos 90, tendo como par Laura (a atriz Soledad Villamil, que faria novo par com Darín em O Segredo dos seus Olhos), uma garçonete de personalidade forte que quer que ele abandone o emprego na revista, que castra sua criatividade, para dedicar-se aos seus próprios livros. Há muitas cenas engraçadas, e outras que fazem chorar. A música é maravilhosamente melancólica, acompanhando o tema da história. Um filme lindo, para ver e rever, com grandes atuações, e que faz pensar sobre nossa vida. (5 estrelas em 5)

Para título de minhas anotações, cheguei até aqui a 38 filmes vistos em 2010 (grande decepção, temos que melhorar esta média)

Nove Rainhas : E para fechar o final de semana, não pude evitar e revi mais um filme com o ator argentino Ricardo Darin. Pois bem: se sua parceria com o diretor Juan Jose Campanella rendeu até agora 4 obras-primas muito humanas, melancólicas e agridoces, seu trabalho com o cineasta Fabian Bielinski nos brindou com duas obras-primas humanas, satíricas e cheias de suspense, que usam o gênero "filme de golpe" como roupagem. Infelizmente não posso utilizar as palavras "até agora" desta vez, pois esta parceria acabou em 2006, quando Bielinski morreu, aos 47 anos, vítima de infarte em um quarto de hotel em São Paulo. Um desses dois filmes da dupla foi A Aura, sobre o qual já comentei aqui no blog. O outro é este ótimo exemplar do cinema argentino, em que Darin interpreta um golpista profissional que, ao lado de um pupilo inexperiente, se arrisca ao maior golpe de sua vida, que envolve a falsificação de um bloco de selos raríssimos (as Nove Rainhas, do título). Uma produção inteligente, cheia de humor e viradas do roteiro, mas que não se apoia unicamente no gênero policial, investindo no aprofundamento psicológico e nos dramas familiares das personagens. Além disso, com um final realmente inesperado (apesar do público desconfiar de tudo e de todos desde o início). Foi refilmado pelos americanos. (5 estrelas em 5).