quinta-feira, 27 de maio de 2010

Princípios básicos da doutrina espírita


Os fenômenos considerados sobrenaturais, como a manifestação de espíritos, ocorrem desde o início da história do nosso planeta. A própria Bíblia contém um grande número de relatos sobre médiuns e materializações, por exemplo. Porém, a origem do Espiritismo (termo cunhado por Allan Kardec) remonta ao século XIX, quando a Europa se interessou pelo estudo das mesas girantes.

Pessoas de várias classes entretiam-se com as mesas que, misteriosamente, moviam-se e podiam responder perguntas através de movimentos específicos para dizer "sim" ou "não". Os mais racionais começaram a entender que aqueles objetos inanimados não poderiam demonstrar inteligência, já que não tinham cérebro, e então passaram a investigar as causas do fênomeno, culminando com a publicação das cinco obras básicas do Espiritismo, escritas por Allan Kardec com base nas informações transmitidas pelos espíritos.

É importante ressaltar que essas obras não foram simplesmente ditadas pelos desencarnados. O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, e A Gênese contém informações que somente os espírios poderiam nos fornecer, mas são fruto da razão de Kardec, um pesquisador com mente científica, que pesquisou bastante antes crer naquilo que codificou.

Foi desta forma que teve início a doutrina espírita: sua origem é divina, mas teve a iniciativa dos espíritos, e sua elaboração é resultado do trabalho do homem.

O Espiritismo prevê, basicamente, cinco princípios: A crença em Deus, a crença nos Espíritos, a Pluralidade das Existências, a comunicabilidade dos Espíritos e a pluralidade dos mundos habitados. Vejamos com mais detalhes cada um deles.

Deus
Deus é eterno, imutável, imaterial, único, onipoente, soberanamente justo e bom. Ele criou o Universo, no qual incluem os mundos materiais e imateriais.

Espíritos
São seres materiais quando fazem parte do mundo visível (ou seja, todos nós somos espíritos) ou imateriais (no caso, os desencarnados). Estes, habitam o mundo espiritual, que é o verdadeiro mundo, preexistente ao mundo material. Os espíritos revestem-se temporariamente pelo corpo, período que nós chamamos de vida física, mas o corpo é destruído com a morte, que devolve a liberdade ao espírito. A morte é apenas a destruição do nosso invólucro mais grosseiro.

Pluralidade das Existências
Ou seja, trata-se da Reencarnação. Ela é um veículo para a melhora do nosso estado evolutivo, pois proporciona a repetição de nossas provas e tarefas, até que atinjamos a perfeição moral. Já tivemos muitas encarnações e, provavelmente, ainda teremos muitas outras pela frente. E de agora em diante sempre na espécie humana, ao contrário do que acreditam algumas pessoas, que acham que ainda podemos reencarnar como animais (a evolução do espírito pode até estagnar durante algum tempo, dependendo do seu esforço, mas jamais regride).

Comunicabilidade
Os espíritos exercem influência sobre o mundo físico. Na verdade, eles estão por toda parte, ao nosso redor. Às vezes causam fenômenos ainda incompreendidos pela Ciência, como as psicografias.

Pluralidade das Mundos Habitados
No Universo existem vários mundos habitados, alguns mais avançados que a Terra, outros mais primitivos, tanto na esfera material como na espiritual.

Há relações constantes entre os Espíritos e os encarnados. Os bons espíritos nos auxiliam, enquanto os maus nos impelem para o mal. Essas comunicações podem ser ocultas ou ostensivas. As primeiras se dão através da inspiração (sabe quando de repente temos um "clique" e nos surge uma ideia brilhante?). As outras vem através da psicografia, das materializações, etc. Os espíritos podem se manifestar espontaneamente ou por invocação, e só o fato de se pensar em alguém que já desencarnou pode revelar-se uma bem sucedida invocação (mas não significa que o espírito irá manifestar-se, ele pode apenas aproximar-se, para o Bem ou para o Mal de quem o chamou). Os espíritos são atraídos pela simpatia que lhes inspira a Natureza Moral de quem os evoca.

Distinguem-se os espíritos bons dos maus principalmente pela sua linguagem e pelo conteúdo da mensagem que transmitem.

Entre aquilo que os bons nos ensinam, está o fato de que não há erros irreversíveis que a expiação não possa apagar. O nosso crescimento moral só depende dos nossos esforços e do desejo para o progresso. Sabemos também que a perfeição é o destino final de todos os seres.

É por isso que existe a expiação, que é um meio de purificação pelos crimes e faltas cometidas. É o cumprimento de uma pena. Essa é a explicação para qualquer sofrimento que existe no mundo, principalmente para aqueles casos que desafiam a crença das pessoas na bondade de Deus — quem nunca viu um deficiente físico de nascença e não se perguntou "Como Deus permite que alguns nasçam saudáveis e outros nesta condição tão difícil"? Pois o Espiritismo responde a estas questões através da imortalidade do espírito e da reencarnação.

Obs: Este texto faz parte de uma série de artigos baseados em aulas que ministrei no curso de Evangelização Espírita para jovens, em 2009.

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