sábado, 20 de novembro de 2010

Dossiê Stephen King no cinema (1976-1986)

O nome de Stephen King é um dos mais conhecidos no mundo todo. Seus mais de sessenta livros são best sellers em todos os países em que foram lançados, e a maioria deles foi adaptada ao cinema. E é disso que vamos falar hoje: das adaptações de King para as telas. Algumas são excelentes, outras nem tanto, e há também aquelas que são umas belas porcarias.

Carrie, a estranha (1976)

Stephen King passou parte de sua vida dando aulas de literatura para adolescentes e trabalhando em uma lavanderia para sustentar a família. Foi sua esposa quem retirou da lata de lixo o manuscrito de Carrie depois que ele já havia cansado de receber "Não" das editoras para a publicação. Porém, depois de finalmente conseguir realizar seu sonho de publicá-la, outro jovem talentoso sentiu o potencial da história para o cinema e resolveu levá-la às telas. Brian De Palma era o nome desse cineasta, que com ideias muito boas e um orçamento apertadíssimo, conseguiu a proeza de filmar um dos melhores filmes de terror da história e ainda revelou talentos como John Travolta e Sissy Spacek. King não poderia ter um melhor começo nas telas.


O Iluminado (1980)

Stanley Kubrick folheava livros e mais livros em busca de material para seu próximo filme, atirando na parede os que não lhe interessavam. Sua secretária ficou feliz da vida quando o lendário diretor de 2001 e Laranja Mecânica finalmente gritou "É esse!" com um exemplar de O Iluminado nas mãos. Alguns anos depois, com o filme finalizado, muita gente ficou contentíssima com o resultado, menos King. A produção foi grande sucesso de bilheteria e de crítica, mas o autor não gostou de Kubrick ter eliminado o aspecto sobrenatural da história, transformando os fantasmas que assombram o hotel Overlock em mera paranóia e efeitos do alcoolismo. Criticou também a escalação de Jack Nicholson para o papel principal. "Ele vinha do filme Um Estranho no Ninho e o público já o identificava como louco desde o começo, o que faz perder toda sua descida à insanidade", disse. Kubrick rebateu, dizendo que O Iluminado não era um livro sério, mas que tinha gostado da estrutura da história. Apesar das discussões entre os artistas, que ocorreram desde quando o roteiro estava sendo escrito (Kubrick telefonava de madrugada para King para perguntar coisas como "Você acredita em Deus?"), O Iluminado é um dos filmes mais assustadores de todos os tempos, com cenas clássicas e uma atuação imortal de Nicholson. Era o que os investidores precisavam para confirmar King como sinônimo de sucesso no cinema.


Creepshow (1982)

Stephen King nunca escondeu que sua grande inspiração para a escrita foram as revistas de histórias de terror em quadrinhos da E.C. Comics, que ele lia na infância. Em 82 ele juntou-se ao diretor George Romero, que já tinha grande experiência em filmes de terror, e a dupla resolveu inovar: desenvolver uma produção com várias histórias curtas, dando ao público a sensação de estar dentro de uma daquelas revistas. Extremamente divertido e original, Creepshow mostra Romero em sua melhor forma, e foi o próprio King quem escreveu o roteiro. O escritor até mesmo atua na história "The Lonesome Death of Jordy Verrill”, como um fazendeiro bobalhão que se dá mal ao tocar um meteorito. Cheio de humor negro e sustos, o filme é uma verdadeira homenagem para os fãs de terror. Com mais este sucesso, o ano seguinte seria inundado por nada menos que três adaptações de King para o cinema.


Cujo (1983)

O diretor Lewis Teague manteve a tradição de se fazer bons filmes baseados em King, e desenvolveu uma tensa e claustrofóbica história sobre uma mãe e o filho pequeno presos em um carro e acuados por um gigantesco São Bernardo com raiva. Uma produção barata e eficiente, como muitos filmes de terror que fizeram bastante sucesso na época. Quase sem mostrar sangue, Teague colocou os nervos da plateia à prova.


A Hora da Zona Morta (1983)

O diretor canadense David Cronenberg vinha de uma leva de filmes nojentos e perturbadores, como Os Filhos do Medo, Scanners e Videodrome. Seu envolvimento com o projeto deixou King com a pulga atrás da orelha, pois a frieza do cineasta talvez não funcionasse na história de um professor que começa a prever o futuro depois de sofrer um acidente de carro e permanecer por cinco anos em coma. Mas tudo deu certo no final: o ator Cristopher Walken faz um belo trabalho como o protagonista, e o filme não é tão sinistro, apesar de ter a cara de Cronenberg. Destaque para o clímax, quando o vidente descobre que a eleição de um carismático candidato (Martin Sheen) vai levar o mundo a um desastre nuclear.


Christine, o carro assassino (1983)

Foi aqui que começaram os problemas. Christine, o livro, traz a história de um rapaz que compra um velho Plymouth Fury 1958 e o reforma, sem saber que o carro está possuído pelo fantasma de seu velho dono. O cineasta John Carpenter, ao invés de seguir o livro, resolveu mudar e eliminou o fantasma, atribuindo ao próprio carro os sentimentos de ódio que o fazem matar pessoas. "Falhei", disse ele mais tarde, reconhecendo o erro. Apesar de ter sido a primeira grande decepção entre as adaptações de King, Christine tem bons momentos, como quando o automóvel surge em chamas perseguindo suas vítimas pela rua.

Colheita Maldita (1984)

Um segundo duro golpe em King. Baseado em um breve conto do livro Sombras da Noite, a história não era grande o bastante para dar origem a um filme, tornando a produção arrastada e, até então, com a menor bilheteria entre as adaptações do autor. Apesar disso, o filme originou uma imensa onda de continuações, uma pior que a outra, a maioria lançada diretamente nas locadoras.

A Incendiária (1984)

E para coroar a má fase, tivemos A Incendiária, com uma fraquinha Drew Barryore, ainda criança, no papel de uma menina que consegue causar incêndios apenas com o poder da mente. Depois de já termos visto a cena do baile em Carrie, chega a ser ridículo aqui, a garota tendo seus cabelos esvoaçados enquanto se concentra para o ataque. E o vilão é um velho de quem nunca ficamos sabendo quais suas reais intenções para com a menina. A partir daí sempre havia a dúvida quando se anunciava uma nova adaptação de Stephen King: será que o filme é bom ou mais uma bomba?


Olhos de Gato (1984)

Felizmente Stephen King se uniu mais uma vez ao diretor de Cujo para, novamente, ele próprio escrever o roteiro de um filme dividido em histórias. Desta vez todas estão ligadas pela figura de um gato, e temos um pouco daquela magia vista em Creepshow. O destaque é para o segmento “Ex-Fumantes Ltda”, do livro Sombras da Noite, com James Woods no papel de um fumante inveterado que contrata uma empresa com métodos bem peculiares para tirá-lo do vício.


Bala de Prata (1984)

Pegando carona nos filmes de lobisomens depois do sucesso Um Lobisomem Americano em Londres, de John Landis, Bala de Prata traz, curiosamente, o jovem Corey Haim em uma história que lembra Os Garotos Perdidos, em que atuaria dois anos depois (mas então com vampiros). É um filme divertido, que não teve grande retorno nas bilheterias. Mas também, convenhamos: aquele padre não tem cara de padre nem aqui nem no fim do mundo, não é? E, de fato, nenhum filme sobre Homens Lobo conseguiu chegar perto do filme de Landis.

Comboio do Terror (1986)

E então King, insatisfeito com o resultado dos últimos filmes, resolveu ele mesmo levar uma de suas histórias ao cinema, sentando na cadeira de diretor. O problema é que ele fez o mesmo erro que já haviam cometido em Colheita Maldita, esticando um pequeno conto do livro Sombras da Noite, no qual os veículos e outras máquinas se voltam contra os humanos. Sua falta de experiência atrás das câmeras contribuiu para o fracasso da empreitada, resultando na pior bilheteria entre todas as adaptações. Mas pelo menos a trilha sonora do AC/DC é legal.

Conta Comigo (1986)

Preocupados com os desastres nas bilheterias, os produtores resolveram simplesmente esconder o nome de King dos créditos do próximo projeto, até mesmo porque esta seria a primeira adaptação de uma história de não-terror do autor. Baseado no segmento O Corpo, do livro Quatro Estações, Conta Comigo é uma tocante fábula sobre o fim da infância, baseada nas memórias do próprio Stephen King, e que revelou o talento do jovem River Phoenix. Com uma excelente trilha sonora dos anos 50 e um assustador vilão, interpretado por um Kiefer Sutherland ainda adolescente, Conta Comigo conquistou o coração do público e arrebatou uma excelente bilheteria. Poucas pessoas não conhecem a histórias dos quatro meninos que partem em uma jornada para procurar o cadáver de um menino que foi atropelado por um trem.

E foram assim os primeiros dez anos de livros do mestre sendo levados ao cinema. Esse dossiê continua em uma próxima edição, com os filmes entre 1987 e 1994, que tiveram ótimos exemplares, como Cemitério Maldito e Louca Obsessão.

6 comentários:

  1. quase todos os filmes de king (falta 1 filme e 1 minissérie) podem ser assistidos sem baixar no meu blog :) stephenkingmovies.blogspot.com

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  2. haha adoro assistir filmes como esses,otimas historias, não se compara aos que temos hoje em dia

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  3. Eu nunca vou me esquecer do Malakai na colheita. Não sei se pela má atuação ou por me causar um certo medo incômodo, aqueles que vc pensa, pensa e descobre que aquilo foi assustador.

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  4. ótimo esse seu apanhado geral!
    e eu concordo com o King, que, quem asiste O Iluminado sem ter lido o livro,olha pro Nicholson e já o vê com cara de louco. Acho esse o único defeito do filme, que, á parte da história, é um grande filme. Mas vc já saca na hora que o cara vai começar a ter surtos logo, logo...
    acho que sou a única que gosto de Comboio do Terror! Sei lá, achei um filme bacana se comparado ao conto...
    Estou aguardando a continuação!

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  5. Adorei essa coletanea de informações. Vou divulgar com link em meu twitter. Parabéns, Ju Lund do www.julund.com.br
    Bjokas

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