domingo, 30 de maio de 2010

Deus

Segundo o Livro dos Espíritos, Deus é "a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas". Vamos tentar entender esta afirmação. Bem, Inteligência Suprema e Causa Primária de Todas as Coisas são, praticamente, sinônimos. Como exemplo, imagine uma cadeira. Quem a criou? "O marceneiro", será a resposta. E quem criou o marceneiro? A resposta será "Deus". Mas há outra forma de se seguir o raciocínio: De que é feita a cadeira? De madeira. E de onde veio a madeira? Ora, de uma árvore. E de onde veio a árvore? Da terra. E quem criou a terra? Se formos fazendo perguntas e multiplicando-as até chegar a origem de todas as coisas, sempre chegaremos a Deus.

Deus é o criador, a fonte de tudo. E temos certeza de Sua existência até mesmo graças à Ciência, pois esta afirma que "todo efeito tem uma causa". Logo, todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. Ou seja, se o homem é inteligente, só pode ter sido criado por uma inteligência maior.

No Espiritismo aprendemos que, no grau evolutivo em que nos encontramos, é inútil tentarmos definir Deus de uma forma muito mais profunda. Falta-nos maior riqueza de linguagem e raciocínio. É como aquela história do menino na praia que, usando uma concha, tentava colocar todo o mar dentro de um buraco cavado na areia. É muita coisa para caber em nossa cabeça. Mesmo assim, vamos tentar descobrir até onde podemos chegar na tentativa de se entender Deus com lógica.

A primeira pergunta do Livro dos Espíritos é "Que é Deus?". Note que não foi perguntado "Quem é Deus", pois não podemos ter essa visão antropomórfica, tanto difundida no antigo testamento. Lá Deus é visto como um ser vingativo, que demonstrava claramente preferência por um de seus filhos (Abel) e ficava raivoso caso O desobedessessem. Em muitos povos antigos as religiões eram politeístas e acreditavam em deuses com várias características humanas. Antropomórfica é também aquela nossa velha imagem infantil de Deus como sendo um velho barbudo sentado em um trono. Mas e com a chegada de Cristo essa imagem mudou para a de um Deus amoroso e Pai. Será que foi Deus mesmo que mudou, ou apenas a visão que a humanidade tinha Dele?

Deus não se mostra — Ele Se revela por Suas obras.

Voltando àquela questão de Causa e Efeito, vamos simplesmente pensar na Natureza. Seria possível que as montanhas, as florestas, os animais e os mares fossem produzidos por forças materiais? Mecanicamente? Por automatismo? Essas teorias que muitos cientistas ainda defendem significariam que tudo o que há ao nosso redor é fruto do acaso.

Outra prova da existência da Deus está no comportamento dos povos selvagens. Muitas tribos acreditavam na existência de um Grande Espírito, ou do Espírito da Floresta. Como isso se explica, se nada fora ensinado a eles sobre religião? Explica-se pela intuição coletiva de que existe algo maior, criador das árvores, da Lua, do Sol, das estrelas.


Como é Deus?

Mesmo para os que acreditam Nele, há esta dúvida. Afinal, qual seria a forma de Deus? Uma reflexão sobre isso é: "Observemos a perfeição de suas obras". Pense na complexidade do ser humano, tanto no corpo como na mente. Pense no tamanho e no movimento dos planetas. Lembre-se de um momento em que o Amor te inundou. Pois Deus é a potência máxima e infinita de tudo isso. Ele possui um grau supremo de qualidades. Lembro-me de uma piada contada por Divaldo P. Franco:

Um homem se encontra com Deus e pergunta a Ele: "—Deus, para Você quanto é 1 milhão de anos?". Deus responde: "— Para mim é um segundo!". O homem faz outra pergunta: "— E para Você quanto é um milhão de dólares?". Deus: "—Para mim é um centavo!". O homem pensa e diz: "—Deus, me empresta um centavo?". E Deus: "—É claro! Espere um segundo..."

Sabemos, através da doutrina espírita, que Deus possui os seguintes atributos:

É eterno — ou seja, não terá fim, e também não teve um começo (senão teria sido criado por outro ser, e este sim seria o Criador)

Infinitamente perfeito

Imutável

Imaterial

Único

Onipotente

Soberanamente justo e bom

Uma pergunta que também aflige a muitos é: "Como Deus, sendo tão grande, pode se incumbir de detalhes tão pequenos, como os pensamentos mesquinhos que tive hoje?". A resposta não está ainda na capacidade de compreensão do homem, pois seu raciocínio é limitado. Mas podemos ter uma ideia: Imagine seu corpo, com todos os membros e articulações. Se alguma coisinha do corpo anda com um problema, não importa onde, nós sentimos uma dorzinha, ou uma coceirinha, não é? Esta é uma maneira simples de explicar a questão do fluido cósmico universal.

O Fluido Cósmico Universal é algo em que o universo está mergulhado, que pode penetrar em absolutamente tudo, inclusive em nossos pensamentos. E é um fluido inteligente, que preenche todos os átomos. A dúvida é a de se haveria um foco gerador deste fluido, ou se ele estaria espalhado uniformemente por tudo.

Mas isso também não importa. Pois se Ele é infinitamente Justo e Bom, só pode querer o nosso bem, e é por essa razão que devemos confiar Nele.

(Texto que faz parte de uma série de artigos baseados em aulas que ministrei no curso de espiritismo para jovens, em 2009)

sábado, 29 de maio de 2010

Valhalla Rising


Quando eu assistia Valhalla Rising, filme do cineasta Nicolas Winding Refn (de Bronson), fiquei pensando: "Puxa, esse diretor faria uma ótima adaptação de Thor ou de outra HQ". As imagens estáticas, lembrando quadrinhos, as cenas de violência e, no geral, a aparência ameaçadora de todos os personagens, não me fizeram pensar outra coisa. Porém, é preciso reconhecer que este filme não tem mais nada do que é necessário a um blockbuster. Trata-se de uma produção bem crua, quase sem diálogos e tão lenta que chega a ser um desafio não cochilar durante algumas cenas. Cochilos esses que são interrompidos justamente pelas inesperadas ondas de ação e violência, que ocorrem três ou quatro vezes até que os créditos finais surjam na tela. Valhalla Rising passa-se no ano 1000 dC e acompanha um imbatível guerreiro nórdico, que não fala uma só palavra durante todo o filme e tem um olho furado (o que lhe rende o apelido de One Eye). Ao escapar do grupo que o mantinha como prisioneiro, junta-se a uma pequena cruzada que busca a Terra Santa, sendo sempre seguido por um menino, que "traduz" seus pensamentos para os outros.

E é só.

Se eu contar mais vou acabar revelando o final, pois é muito pouco o que acontece nos apenas 93 minutos de filme, divididos em 6 capítulos. Bem, temos algumas mortes chocantes pelo caminho e um clima de paranoia que vai se instalando nos personagens ao perceberem que estão perdidos. Mas isso é muito pouco depois do promissor início, que mostra One Eye acabando com a raça do bando que o prendia.

Ainda assim, é claro que vão ficar na minha cabeça as cenas do "herói" esmigalhando um crânio até aparecer os miolos da vítima, ou então abrindo a barriga de um sujeito e arrancando suas tripas, e até uma luta em particular em que One Eye usa uma corda para quebrar o pescoço de um cara (inteligente é o garotinho que fica amigo dele, porque seus inimigos só se ferram). Ponto positivo também é a criação de uma Idade Média realista, apesar da ausência de cenários, mostrando homens feios, sujos e barbudos em paisagens montanhosas e lamacentas.

Portanto é uma pena que, mesmo com tudo isso, Valhalla Rising acabe sendo chato. Quer dizer: é parado e, talvez, intelectual demais para um "filme de macho". Mas ainda assim é impressionante em alguns aspectos. Arrisque assistir, mas sem sono e longe da namorada. (3 estrelas em 5)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Kick Ass

Baseado em uma graphic novel, Kick Ass surpreende por ser um filme americano, e não japonês. É que no cinema oriental é mais comum ver os exageros e certas cenas de maior violência envolvendo crianças e adolescentes.

Mas antes de qualquer outra coisa, é bom saber que Kick Ass é muito divertido. Parte de seu clima lembra demais o de filmes como Superbad - É Hoje, retratando adolescentes nerds que leem histórias em quadrinhos, passam o dia no computador e não fazem nenhum sucesso com as garotas. Por outro lado, não menos divertido, a produção lembra alguns filmes dos nossos amigos asiáticos, como Battle Royale, MachineGirl, e tantos outros.

Na verdade Kick Ass não tem cenas tão violentas, como alguns tem comentado. Creio que o maior "susto" com relação a ela seja somente por envolver personagens muito jovens. E essa violência vem de forma tão absurda que, em quase todos os casos, é causadora de risos. Por exemplo, quando o pai vivido por Nicolas Cage atira na própria filha, de uns 10 anos de idade, que está usando um colete à prova de balas. Ou quando a menina chacina toda uma gangue de traficantes em um apartamento, usando uma espada ninja.

Kick Ass conta a história de um adolescente que, cansado de ser tratado como invisível pelos colegas, e de ver tanta injustiça sem que ninguém tome providências, resolve fantasiar-se e sair nas ruas para combater o crime. Mas, quando luta, um cara desajeitado e sem nenhum treinamento como o protagonista acaba ferindo mais a si próprio do que aos marginais. Mesmo assim seus vídeos fazem sucesso no Youtube e ele vira uma espécie de celebridade.

De outro lado há a jovem Hit Girl e seu pai, interpretado por Nicolas Cage — estes sim, verdadeiros heróis (ou anti-heróis, sei lá, mas pelo menos eles sabem lutar e usar armas). Um encontro dos dois com Kick Ass é inevitável, e os três acabarão lutando juntos contra uma quadrilha de gângsters.

Durante alguns momentos, principalmente nos que mostram o caminho de um estudante comum cruzar com o de um mafioso perigoso, cheguei a notar semelhança deste filme com alguns dos anos 80, voltados para o público jovem, como Uma Noite de Aventuras (aquele da babá).

Há muitas cenas engenhosas, que seguem o visual de quadrinhos, e a trilha sonora é muito, muito boa. Bem, não é um filme que vai mudar a vida de alguém, mas ele garante um ótimo divertimento. (4 estrelas em 5)

Glee - Theatricality

Resolvi assistir pela primeira vez a um episódio de Glee, pois soube que nele havia uma homenagem à Lady Gaga, e me surpreendi com um seriado de ritmo frenético, com ótimos números musicais e bastante conectado com temas extremamente atuais.

Theatricality, o episódio número 20, começa com o diretor da escola censurando as roupas de uma aluna, que se veste com estilo gótico. Já na primeira cena temos um diálogo muito acelerado e engraçadíssimo, pois a aluna (e o professor que a acompanha, em sua defesa) percebe que o diretor acredita realmente em vampiros e parece querer evitar um ataque de morcegos à escola — a justificativa que ele dá para que a moça não use aquelas roupas soa como uma desculpa esfarrapada. E vemos em flashback uma engraçadíssima cena, muito rápida, de um grupo de gordinhas góticas com dentes pontiagudos atacando um colega em pleno corredor do colégio, pois aquilo chamaria a atenção do Robert Pattinson.

O início é engraçado, mas o tom do resto do episódio não é exatamente este. A questão tratada aqui diz respeito a podermos assumir quem realmente somos, sem a obrigação de cumprirmos papéis que a sociedade exige. Assim acompanhamos o rapaz gay que é apaixonado pelo filho da namorada do pai e faz de tudo para conquistá-lo, apesar daquele ser hetero; a adolescente que encontra sua verdadeira mãe e tenta se aproximar; e a reprovação do uso de roupas escandalosas por parte dos valentões do colégio. Tudo isso entre um ensaio e outro do coral, que compreendeu duas faixas da Lady Gaga e duas do Kiss, curiosamente uma versão acústica e um show bombástico para cada um deles.

Não escondi de ninguém que assisti ao episódio por causa da Lady Gaga, mas acreditei que ela em pessoa faria uma participação — errei. Mas a apresentação de Bad Romance com os personagens vestidos como ela, e o dueto na versão acústica de Poker Face, já valeram. E ainda toca Speechless de fundo durante uma cena. Enfim, achei muito boa a homenagem. Além das performances, há vários diálogos em que os personagens conversam sobre a artista, sempre a tratando com muito respeito (coisa de fã mesmo).

E ainda fiquei impressionado com uma cena em especial, em que um pai, ao ouvir seu filho homossexual ser chamado de bicha, dá uma homérica lição de moral no agressor. Digamos que ele diz coisas que todos nós deveríamos ouvir — mesmo aqueles que acreditamos que não temos nada de preconceito, mas cuja mentalidade ainda não chega aos pés à daquele pai, que obviamente sofreu muito até aceitar a verdade sobre seu filho.

Tenho certeza que assistirei a mais episódios de Glee, mesmo que não tenham músicas de Lady Gaga ou de qualquer artista de quem eu seja fã.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Princípios básicos da doutrina espírita


Os fenômenos considerados sobrenaturais, como a manifestação de espíritos, ocorrem desde o início da história do nosso planeta. A própria Bíblia contém um grande número de relatos sobre médiuns e materializações, por exemplo. Porém, a origem do Espiritismo (termo cunhado por Allan Kardec) remonta ao século XIX, quando a Europa se interessou pelo estudo das mesas girantes.

Pessoas de várias classes entretiam-se com as mesas que, misteriosamente, moviam-se e podiam responder perguntas através de movimentos específicos para dizer "sim" ou "não". Os mais racionais começaram a entender que aqueles objetos inanimados não poderiam demonstrar inteligência, já que não tinham cérebro, e então passaram a investigar as causas do fênomeno, culminando com a publicação das cinco obras básicas do Espiritismo, escritas por Allan Kardec com base nas informações transmitidas pelos espíritos.

É importante ressaltar que essas obras não foram simplesmente ditadas pelos desencarnados. O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, e A Gênese contém informações que somente os espírios poderiam nos fornecer, mas são fruto da razão de Kardec, um pesquisador com mente científica, que pesquisou bastante antes crer naquilo que codificou.

Foi desta forma que teve início a doutrina espírita: sua origem é divina, mas teve a iniciativa dos espíritos, e sua elaboração é resultado do trabalho do homem.

O Espiritismo prevê, basicamente, cinco princípios: A crença em Deus, a crença nos Espíritos, a Pluralidade das Existências, a comunicabilidade dos Espíritos e a pluralidade dos mundos habitados. Vejamos com mais detalhes cada um deles.

Deus
Deus é eterno, imutável, imaterial, único, onipoente, soberanamente justo e bom. Ele criou o Universo, no qual incluem os mundos materiais e imateriais.

Espíritos
São seres materiais quando fazem parte do mundo visível (ou seja, todos nós somos espíritos) ou imateriais (no caso, os desencarnados). Estes, habitam o mundo espiritual, que é o verdadeiro mundo, preexistente ao mundo material. Os espíritos revestem-se temporariamente pelo corpo, período que nós chamamos de vida física, mas o corpo é destruído com a morte, que devolve a liberdade ao espírito. A morte é apenas a destruição do nosso invólucro mais grosseiro.

Pluralidade das Existências
Ou seja, trata-se da Reencarnação. Ela é um veículo para a melhora do nosso estado evolutivo, pois proporciona a repetição de nossas provas e tarefas, até que atinjamos a perfeição moral. Já tivemos muitas encarnações e, provavelmente, ainda teremos muitas outras pela frente. E de agora em diante sempre na espécie humana, ao contrário do que acreditam algumas pessoas, que acham que ainda podemos reencarnar como animais (a evolução do espírito pode até estagnar durante algum tempo, dependendo do seu esforço, mas jamais regride).

Comunicabilidade
Os espíritos exercem influência sobre o mundo físico. Na verdade, eles estão por toda parte, ao nosso redor. Às vezes causam fenômenos ainda incompreendidos pela Ciência, como as psicografias.

Pluralidade das Mundos Habitados
No Universo existem vários mundos habitados, alguns mais avançados que a Terra, outros mais primitivos, tanto na esfera material como na espiritual.

Há relações constantes entre os Espíritos e os encarnados. Os bons espíritos nos auxiliam, enquanto os maus nos impelem para o mal. Essas comunicações podem ser ocultas ou ostensivas. As primeiras se dão através da inspiração (sabe quando de repente temos um "clique" e nos surge uma ideia brilhante?). As outras vem através da psicografia, das materializações, etc. Os espíritos podem se manifestar espontaneamente ou por invocação, e só o fato de se pensar em alguém que já desencarnou pode revelar-se uma bem sucedida invocação (mas não significa que o espírito irá manifestar-se, ele pode apenas aproximar-se, para o Bem ou para o Mal de quem o chamou). Os espíritos são atraídos pela simpatia que lhes inspira a Natureza Moral de quem os evoca.

Distinguem-se os espíritos bons dos maus principalmente pela sua linguagem e pelo conteúdo da mensagem que transmitem.

Entre aquilo que os bons nos ensinam, está o fato de que não há erros irreversíveis que a expiação não possa apagar. O nosso crescimento moral só depende dos nossos esforços e do desejo para o progresso. Sabemos também que a perfeição é o destino final de todos os seres.

É por isso que existe a expiação, que é um meio de purificação pelos crimes e faltas cometidas. É o cumprimento de uma pena. Essa é a explicação para qualquer sofrimento que existe no mundo, principalmente para aqueles casos que desafiam a crença das pessoas na bondade de Deus — quem nunca viu um deficiente físico de nascença e não se perguntou "Como Deus permite que alguns nasçam saudáveis e outros nesta condição tão difícil"? Pois o Espiritismo responde a estas questões através da imortalidade do espírito e da reencarnação.

Obs: Este texto faz parte de uma série de artigos baseados em aulas que ministrei no curso de Evangelização Espírita para jovens, em 2009.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Lost e o espiritismo

Sempre que tomo conhecimento de algo que é grandioso, que está obtendo um sucesso fenomenal e sendo comentado por muita gente, eu corro dar uma olhadinha para ter uma ideia de o que anda sendo despejado na cabeça das pessoas. Então, mesmo sem ter assistido a muitos episódios de Lost, resolvi conferir o final da série, para descobrir qual era o grande mistério que fez milhões de pessoas discutirem durante os seis anos em que foi ao ar. E, para minha grande surpresa e alegria, descobri que todo o sucesso da série tinha um propósito muito especial.

Não poderei entrar em detalhes, já que me falta assistir a muitas horas do programa para eu compreender parte do movimentado enredo, porém, só de ver o "finale", deu para perceber que os realizadores foram inspirados pelas boas forças espirituais. Sim, Lost foi construída como uma história muito bem fundamentada dentro dos conceitos do Espiritismo, e o estrondoso sucesso foi usado para disseminar o ideal espírita-cristão.

Lembro que no início da primeira temporada houve muitos fãs que logo deram seus palpites: aqueles "sobreviventes" da queda do avião estariam todos mortos, e a ilha seria o purgatório. Essa teoria foi logo descartada quando a série passou a mostrar viagens no tempo, realidades paralelas e o escambau. Mas e não é que, no fim das contas, era aquilo mesmo? É claro que as coisas não são tão simples assim. Afinal, é preciso manter o público interessado durante seis anos.

Mas continuemos. Pensando por este viés proposto, podemos identificar facilmente os elementos ligados aos ensinamentos codificados por Allan Kardec. Vamos simplificar as coisas: um avião cai, todos os passageiros desencarnam, mas precisam passar por algumas provas antes de poderem adentrar a nova morada. Essas provas têm o objetivo de torná-los melhores, de expurgarem qualquer resquício de egoísmo e maldade que ainda tenham na alma, para só então conhecerem o Céu, ou um mundo espiritual mais evoluído. Ou seja, a ilha é o Umbral, que funciona como uma esponja para sugar todos os resquícios demasiadamente humanos/materiais/egoísticos de seus habitantes, com os quais eles não conseguirão adentrar mundos superiores.


Não tenho a menor pretensão de acreditar que J.J. Abrams ou os outros produtores/roteiristas de Lost sejam espíritas, pois o Espiritismo é pouco conhecido nos Estados Unidos. O que entendo é que os responsáveis pela série foram inspirados e, provavelmente sem saber, instigaram muita gente a prestar mais atenção àquele chamado para desprenderem-se das falsas promessas da matéria e, finalmente, apegarem-se ao lado espiritual — ou a Deus, ou ao nome que quiserem dar.

Na doutrina espírita conhecemos a história dos Exilados da Capela, com a qual Lost faz um brilhante paralelo. Capela era um planeta muito desenvolvido, cujos habitantes estavam passando por mais uma fase de evolução. Porém, apesar do aprimoramento moral da maioria, um grande número de espíritos não correspondia à grandeza do resto, e acabavam por atrasar o desenvolvimento de seus irmãos. Assim, depois de receberem várias chances, foram expulsos de lá, e obrigados a reencarnar em um lugar muito mais atrasado e penoso: a Terra. Aqui eles seriam úteis, pois teriam grande desenvolvimento espiritual se comparados com os habitantes daqui. Conta-se que esses capelinos foram os egípcios e outros povos da antiguidade, que ajudaram a construir as pirâmides e outras obras que até hoje desafiam a engenharia. Após um período de encarnações provatórias em nosso planeta sob penosas condições, finalmente elevaram-se espiritualmente para voltar, merecidamente, às maravilhas de Capela.

Não é, basicamente, a lição contida na saga Lost? Afinal, aqueles personagens que, no início da série, eram mesquinhos, tinham segredos e não confiavam uns nos outros, aos poucos passaram a se compreender, a se ajudar e a se amar. E só puderam sair daquela prisão quando todos entenderam essa lógica de sacrifício e amor ao próximo, baseada fielmente nas lições de Jesus.

As cenas finais da série foram arrebatadoras, principalmente quando Jack reencontra o pai "morto" e compreende toda a verdade. E ouvir o pai dizer ao filho que eles não estão indo embora, mas "seguindo adiante", só não me emocionou mais do que ver, no encerramento, todos se abraçando dentro de uma igreja e iluminando-se por uma bela luz que passa a envolvê-los.

Leia também: Lost e o Espiritismo - parte 2.

video

domingo, 23 de maio de 2010

Lady Gaga: O monstro da fama

Sinceramente, nunca fui grande fã de música eletrônica. São poucos os artistas que me agradam ao utilizarem sintetizadores e os artificiais "tuns", "pócs" e "claps" em suas canções. E essas novas "rainhas do pop" que surgiram nos últimos anos, como Rihanna e Beyoncé, nunca me chamaram a atenção a ponto de eu querer ouvir um cd inteiro delas. Não foi com surpresa que ouvi falar, há algum tempo, desta tal de Lady Gaga. Quando vi seu visual espalhafatoso e absurdo, pensei: "Já estão chegando no auge da apelação para mostrarem-se diferentes umas das outras". Devido ao enorme sucesso que ela fazia, fui conferir o video de Poker Face, e não me surpreendi com qualquer qualidade musical além do comum, apesar do clima dark e um pouco chocante do video.

De lá para cá eu tinha apenas ignorado a tal Gaga, colocando-a no mesmo cesto daquelas outras cantoras pop internacionais da moda. Porém, tudo isso mudou depois que assisti ao video daquele menino de 12 anos tocando no piano Paparazzi, outro sucesso da artista. Creio que todos se surpreenderam com a virtuosidade do garoto, apesar de que, como espírita, sei que a partir de agora será cada vez mais comum esse tipo de manifestação entre crianças. Mas na verdade o que me chamou a atenção foi a própria música. Puxa, que composição! Como é que aquela maravilha podia ser da mesma Lady Gaga a que eu havia tido contato antes?

A partir daí fui pesquisar e encontrei vários vídeos da moça tocando piano e cantando em versões acústicas de seus maiores sucessos. A faixa que o garoto tocou no piano já vinha sendo apresentada por ela só com voz e piano há muito tempo nos shows, assim como Poker Face e outras. Não teve jeito: acabei me rendendo ao talento da garota, reconhecendo música de qualidade onde eu não havia reparado ao ouvir a versão eletrônica. Descobri que, além de uma ótima cantora e pianista, Lady Gaga é grande compositora. Uma artista completa, com uma voz poderosa e cujo visual estranho que adota parece ser uma zoação com a moda "chic" (e confesso que agora já consigo enxergar a beleza de suas roupas esquisitas). E além disso, percebo que ela procura fazer uma espécie de crítica à fama e à indústria de celebridades, através do exagero e da caricatura. Enfim, ela merece todo o sucesso que está obtendo, principalmente por revelar-se uma mulher inteligente.

Não fosse tudo isso, ainda estou hipnotizado por seus imaginativos e fortes clips, fortemente influenciados por filmes exploitation, que possuem versões mais longas que funcionam como verdadeiros curtas (à maneira do clássico Thriller, de Michael Jackson). O video de Telephone, por exemplo, começa como um daqueles filmes B de mulheres na prisão e tem a participação da maravilhosa caminhonete Pussy Wagon, do filme Kill Bill, além de fazer referência explícita a Thelma & Louise e Natural Born Killers.


O clip de Paparazzi, a versão explícita, lembra a cruza de algum filme de Almodóvar com uma história bem exploitation, sobre uma atriz (ou cantora) milionária que sofre um acidente, fica muito debilitada, mas recupera-se aos poucos e volta a estampar as capas das revistas ao cometer um crime. Impressionaram-me particularmente as cenas que mostram Gaga paralisada em uma cadeira de rodas e sofrendo para voltar a andar (tudo isso em forma de musical, com dançarinos e ela própria fazendo uma grande performance física).

Bad Romance tem um video bem estranho, que até me fez pensar: "A Lady Gaga fez com talento aquilo que o Marilyn Manson tenta há anos". Há nele cenas bem esquisitas, que lembram um filme de terror, como Re-animator e Frankenstein, e o final é Nekromantik puro. Mas por incrível que pareça, o mais hipnótico para mim é, hoje, o de Poker Face — sim, o mesmo a que eu havia dado pouca atenção na primeira vez que assisti.


Portanto, posso dizer que já sou grande fã da moça. Há várias de suas canções que não saem da minha cabeça, sendo que uma delas é a suave Brown Eyes, que evoca Elton John e sua Your Song. Assim, é com grande satisfação que recomendo o cd duplo The Fame Monster, que tem todos os sucessos, e aguardarei ansiosamente o lançamento de um álbum acústico, que vai surpreender até os que ainda não se renderam ao talento dela. Se duvidam, assistam abaixo ela tocando Poker Face ao piano.

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segunda-feira, 10 de maio de 2010

Era do Gelo 1

Apesar de eu já ter assistido antes, vale aqui o registro para minhas anotações: revi neste final de semana A Era do Gelo 1. Bem, é muito melhor que a terceira parte, mas já envelheceu um pouco e não me impressionou nada nos quesitos técnicos (muito pelo contrário), além de não ter me emocionado (ao contrário de quando vi pela 1ª vez) e de ter se revelado uma historinha não muito bem desenvolvida. Apesar disso, adoro o bichinho às voltas com a noz e a aparição inesperada de um disco voador congelado. (3 estrelas em 5)

Chumbo Quente


Neste final de semana acabei ouvindo o LP Mundo Cão, da dupla Léo Canhoto e Robertinho, lançado em 1978, e mais precisamente a canção Chumbo Quente, que começa com o efeito de um tiro e segue com ritmo de country western a impagável letra:

Sai da frente
que lá vem eles minha gente
agora o chumbo é quente
E eles têm toda a razão
Não fique aí
se não quiser virar defunto
e ir pra cidade dos pés juntos
dentro de um lindo caixão
um perdeu querido pai
um outro perdeu o irmão,
os dois querem os bandidos
pra levá-los à prisão!
Se os bandidos resistirem atirarem de repente
Se salve quem puder que daí é chumbo quente

Pois fazendo uma breve pesquisa na internet, fui descobrir coisas muito legais sobre a dupla, como o fato de ser a primeira sertaneja a usar cabelos compridos e medalhões de ouro (antes os cantores desses estilo faziam o tipo da roça, com camisas xadrez abotoadas até o pescoço). Mas o mais interessante foi que Léo Canhoto e Robertinho dedicaram boa parte da carreira ao sertanejo inspirado no faroeste, como comprova o filme Chumbo Quente que a dupla estrelou em 1977.



Para saber mais sobre a dupla (que está na ativa até hoje), aqui vai o site oficial de LéoCanhoto e Robertinho: http://www.leocanhotoerobertinho.com.br/

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Homem de Ferro 2


Tive a oportunidade de assistir a este filme no lugar correto, ou seja, no cinema. Sim, pois eliminado-se as cenas de ação e as pirotecnias, sobra muito pouco na tela para apreciarmos. Não que seja ruim, mas não dá para comparar com o longa original. Nesta continuação não há um roteiro legal e movimentado (cheguei a cochilar no cinema) e as tentativas de humor funcionam poucas vezes. Como ponto alto há o vilão interpretado por Mickey Rourke (e não deixa de ser interessante ver em combate dois atores que chegaram ao fundo do poço e deram a volta por cima): Robert Downey Jr. entrega tudo aquilo que fez (muito bem) em Homem de Ferro, roubando todas cenas, mas Rourke não fica para trás, e só sai perdendo devido ao seu papel absurdo, de um sujeito ao mesmo tempo ameaçador e brilhante.
As presenças de Scarlett Johansson e Samuel L. Jackson são divertidas, mas inúteis. Porém, foi legal a participação de Sam Rockwell, de Lunar, como um antagonista de Tony Stark (e não exatamente do Homem de Ferro).
Com as melhores cenas já reveladas no trailer, Homem de Ferro 2 também deixa a desejar por se esforçar em servir como uma publicidade de luxo para outros filmes da Marvel que estão para estrear, como Thor, Capitão América e Os Vingadores, já que faz questão de fazer referências óbvias a estas produções. (3 estrelas em 5)